Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Ética do profissional de comunicação independe do meio, dizem especialistas

Em encontro sobre mídias digitais, jornalistas afirmam que setor das telecomunicações provoca mudanças no cotidiano das empresas, mas compromisso com a informação não deve mudar

Gabriel Manzano, de O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2011 | 14h00

As rápidas mudanças no mundo das telecomunicações exigem adaptações, algumas profundas, mas ética é sempre ética, em qualquer ambiente, e não há por que se pensar em uma "ética digital". Essa foi a resposta dada nesta quarta-feira, 26, em seminário na Escola Superior de Propaganda e Marketing, pelos debatedores Pedro Dória, de O Globo, e Eugenio Bucci, diretor da escola. Com eles concordou o moderador do debate, Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do Grupo Estado.

 

O painel "Há um Ética Digital e uma Ética Analógica?" é parte do seminário "Os Desafios Éticos e Legais nas Empresas Jornalísticas", organizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) e pela ESPM. "Jornalismo é jornalismo. Não deveria haver éticas diferentes", resumiu Doria. Ele admite, porém que "é preciso construir uma maneira de responder às situações. Por outro lado, ainda é cedo para se saber os reais desafios dessas mudanças."

 

Em sua exposição, Dória levantou outras questões, como a definição do papel de um jornalista, como profissional ou cidadão, ao atuar em um blog ou no Twitter. Fazendo uma comparação entre as culturas do Brasil e dos Estados Unidos, lembrou que naquele país o papel do jornalista é mais definido. "No New York Times, por exemplo, jornalistas políticos não só não tomam partido como são proibidos de votar."

 

Bucci analisou as questões do anonimato, "que tem servido de esconderijo para violências - mas que, muitas vezes, é também o último recurso para se manifestar em certas circunstâncias".

 

O painel inclui ainda uma análise sobre a cobrança de acesso feita por alguns jornais pelo uso de seu material em internet. "É fundamental que a sociedade pague pelo produto jornalístico", resumiu Bucci, para quem a informação "é um bem de interesse de toda a comunidade".

 

Internet. O diretor da ESPM despertou polêmica ao afirmar que não considera a internet um meio de comunicação, mas "um segundo grau de abstração da sociedade" - o primeiro seria a própria esfera da vida pública. Bucci entende que dentro da internet há meios de comunicação, há acervos, bibliotecas, conversas de esquina. "Se ela for considerada meio de comunicação, aí vem a tentativa de regulação, como já se tentou por aqui meses atrás, e seria um desastre", advertiu.

 

Pedro Dória lembrou que, por ser um meio recente, é difícil estabelecer os limites do uso da internet. "Tudo isso é muito novo, tem só 16 anos, está sendo ainda inventado. Então, como regular questões como anonimato, regras, garantias de direitos? Como saber os limites ou os perigos?", avalia.

 

Redes sociais. O seminário terá ainda, ao longo do dia, outros três painéis, em que se discutirão os aspectos jurídicos e trabalhistas dos blogs e redes sociais, a relação entre essas redes e o jornalismo e um balanço de regras já adotadas em algumas empresas de comunicação.

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