Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Etchegoyen diz que cautela precederá todas as ações na posse

Ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional detalhou em entrevista o planejamento da segurança para a cerimonia de posse de Jair Bolsonaro; expectativa é receber de 250 a 500 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios

Júlia Lindner e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2018 | 12h12

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, afirmou que haverá quatro barreiras de segurança para quem quiser acompanhar a posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro, na Esplanada dos Ministérios. Além dos pontos de revista manual e detector de metais ao longo do percurso de cerca de três quilômetros, objetos como carrinhos de bebê e bolsas estarão proibidos. 

O acesso será permitido apenas para pedestres e carros credenciados, de acordo com Etchegoyen, através da Rodoviária de Brasília. O bloqueio da via iniciará na madrugada do dia 31 de dezembro e terminará na manhã do dia 2 de janeiro de 2019.

Em coletiva de imprensa, nesta terça-feira, 18, Etchegoyen disse que o planejamento do evento é encarado como uma "grande festa", mas que a cautela precederá os atos para garantir a segurança de todos considerando a situação do presidente eleito, que foi alvo de atentato na campanha eleitoral e ainda enfrenta ameaças. "A segurança do presidente também será a segurança de quem estiver no gramado", afirmou. O GSI espera a presença de 250 mil a 500 mil pessoas. 

"Queremos ter a segurança de que podemos trazer para cá nossas famílias. Nenhum de nós aceitaria entrar numa aeronave se ninguém fosse revistado hoje em dia, é um procedimento simples", disse Etchegoyen.

Ele destacou que já houve outros eventos com mais restrições no País, e que isso "não atrapalhou a festa", citando como exemplo as Olimpíadas. "A festa vai estar muito bonita e segura, que é o que interessa. A Esplanada estará absolutamente segura", destacou o ministro.

O GSI passou uma lista de materiais proibidos, como bebidas alcoólicas, garrafas, guarda-chuva, fogos de artifício, apontadores laser, animais, bolsas e mochilas, sprays, máscaras, produtos inflamáveis, armas de fogo, objetos cortantes, drones e carrinhos de bebê. 

Diante das especulações sobre o esquema de segurança no dia da posse, Etchegoyen afirmou que ainda não está definido se Bolsonaro desfilará com carro aberto na posse, mas disse que este não deveria ser o foco no momento. "Isso é uma questão menor, não vamos fazer da posse uma questão de 'carro aberto ou carro fechado'", criticou. Segundo ele, Bolsonaro não manifestou se prefere ir com o carro aberto ou fechado. 

Conforme antecipou o Estado, a equipe de Bolsonaro estuda abandonar o tradicional desfile em carro aberto na cerimônia de posse. O veículo que costuma ser utilizado no percurso pela Esplanada dos Ministérios é um Rolls-Royce que o Brasil recebeu de presente do governo britânico, em 1953. Em entrevista à Rede Vida, no início do mês, o presidente eleito afirmou que vai seguir “rigorosamente” as recomendações da área de inteligência na posse.

Etchegoyen negou que haverá bloqueio de sinal de celular na Esplanada, como foi noticiado, mas lembrou que haverá bloqueio de sinais com frequências eletromagnéticas de drones, que não serão autorizados, e as chamadas frequências piratas clandestinas. Ele não respondeu se haverá atiradores de elite para reforçar o trabalho dos agentes de segurança. 

Convidados

O chefe do cerimonial do Itamaraty, ministro Carlos França, disse que há confirmação da presença de nove chefes de Estado, dois vice-presidentes e oito chanceleres na cerimônia de posse, que será dividida entre eventos no Congresso, Palácio do Planalto e Itamaraty. 

Reforço na segurança

O GSI também vai reforçar o esquema de proteção ao presidente eleito, Jair Bolsonaro, em comparação ao existente hoje para o presidente Michel Temer. Esse reforço ocorrerá não só na posse, mas também a partir de janeiro, quando o GSI assume a segurança do presidente eleito.

"Nunca tivemos um candidato a presidente que tenha sofrido uma tentativa de assassinato. Isso, por si só, já justifica o reforço no esquema de segurança", declarou o ministro-chefe do GSI, general Sérgio Etchegoyen, em entrevista na qual explicou que "a estrutura do GSI se adapta aos novos dirigentes".

O ministro esclareceu que "ainda existem ameaças" a Bolsonaro e que, até que elas sejam totalmente esclarecidas e disseminadas, "elas permanecem vivas" e sob atenção e cuidado da equipe de segurança. "Toda ameaça só deixa de ser ameaça quando está totalmente esclarecida", observou.

Ao exemplificar as ameaças identificadas contra Bolsonaro, o ministro mencionou a ocorrência de um caso no Rio de Janeiro, que, de acordo com ele, foi neutralizado. "Mas outras ameaças existem", avisou o ministro, lembrando que a estrutura de segurança será adaptada à nova família presidencial.

Depois de lembrar que Bolsonaro ainda sofre restrições por conta do atentado de que foi alvo em setembro, Etchegoyen salientou que a "sugestão já repassada à equipe do novo governo é que a segurança do presidente Bolsonaro tenha alguns cuidados a mais" e "muito mais cautela". Apesar de confirmar o reforço, o general Etchegoyen não quis falar sobre número de militares que estarão trabalhando na Esplanada dos Ministérios, Praça dos Três Poderes, Congresso e Palácio do Planalto. "Podemos assegurar que a segurança será absoluta", avisou.

Por conta do tamanho da família do presidente eleito e da existência, agora, de um vice-presidente da República, o ministro Etchegoyen reiterou que haverá aumento do contingente envolvido na segurança presidencial, mas não revelou o número de pessoas. Como três filhos de Bolsonaro são parlamentares - Eduardo foi eleito deputado federal, Flávio assumirá uma vaga no Senado e Carlos terá um mandato de vereador -, Etchegoyen pediu ao Congresso e à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro que assumam a segurança nesses casos.

"Tanto o nosso Congresso quanto Câmara dos Vereadores do Rio têm estrutura de segurança. Então, a nossa sugestão, em respeito à separação e autonomia dos Poderes é que, apesar de serem filhos do presidente, os Poderes a que eles pertençam respondam pela segurança deles", declarou o ministro, ressalvando ainda que existem algumas interpretações jurídicas para esses casos, que ainda estão sendo esclarecidas. Nenhum dos órgãos, de acordo com o ministro, havia respondido às demandas do GSI até esta terça. 

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