Etanol é chance de ''reparação'' para países desenvolvidos, diz Lula

Presidente inaugurou na Jamaica usina de etanol com tecnologia brasileira.

Denize Bacoccina, BBC

09 de agosto de 2007 | 18h44

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, em Kingston, que os biocombustíveis representam uma chance de "reparação" para os países desenvolvidos."O que estamos oferecendo ao mundo desenvolvido é a chance de eles fazerem uma reparação pela quantidade de poluição que já jogaram na atmosfera", afirmou Lula, em um discurso durante sua visita à Jamaica. "É isto o que está em jogo neste momento."Lula disse que os países em desenvolvimento têm que utilizar os biocombustíveis a seu favor, mas não podem permitir que o assunto "seja olhado com o olhar europeu". "Porque a casa deles já está arrumada", afirmou, referindo-se à diferença do padrão de vida.Depois da resistência da Nicarágua, mais preocupada com a falta de energia elétrica no país, o discurso em prol dos biocombustíveis do presidente foi bem recebido na Jamaica. O presidente fez a inauguração oficial da usina de desidratação de etanol JB Ethanol, empresa jamaicana construída com tecnologia e equipamentos brasileiros, com investimentos de US$ 20 milhões.A destilaria vai processar diariamente 700 mil litros de álcool hidratado importado do Brasil, que é transformado em álcool anidro e reexportado para os Estados Unidos, utilizando as facilidades de um acordo de preferência comercial que evita o pagamento da tarifa imposta ao etanol brasileiro."A introdução do etanol é boa para a Jamaica. Vamos economizar divisas", afirmou a primeira-ministra do país, Portia Simpson Miller.O presidente Lula disse que o etanol vai provocar uma revolução na área petroquímica, porque todos os produtos que hoje são feitos a partir de petróleo podem ser produzidos com o etanol. "Tudo o que é de plástico derivado de petróleo pode ser derivado de etanol, e a Jamaica saiu na frente e vai continuar na frente", afirmou Lula, dizendo que a partir daí seria possível construir um "carro verde".Num discurso no encerramento de um seminário sobre biocombustíveis, o presidente Lula contou a história do etanol no Brasil e falou sobre o Proálcool."Na época (em 1975), o presidente era um general do Exército e eu acho que foi extremamente acertado criar a política de álcool no Brasil", afirmou Lula, contando ao público composto por brasileiros e jamaicanos que durante muito tempo o programa foi criticado por causa dos subsídios.Depois, disse Lula, com o declínio do programa e o fim dos carros a álcool, a situação mudou. "Durante muito tempo os empresários do álcool foram muitas vezes tratados como marginais", disse. Vários empresários do setor viajam na comitiva presidencial, entre eles o presidente da Unica (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo), Marcos Jank.Lula disse que o uso do etanol só foi reativado já em seu governo, com a criação do carro flex fuel pela indústria automobilística.A usina inaugurada pelo presidente Lula é a terceira da Jamaica, que aprovou recentemente uma lei obrigando a adição de até 10% do etanol na gasolina. Das duas usinas que já estão funcionando, uma é em sociedade entre uma empresa brasileira e a estatal petroleira da Jamaica e a outra é da Shell.Lula lembrou ainda que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já tem uma linha de crédito de US$ 100 milhões para o país, destinada a exportações de equipamentos agrícolas brasileiros.Lula foi tratado como estrela na Jamaica, tanto pela primeira-ministra, que citou e elogiou a origem humilde do presidente, como pelo presidente da JB Ethanol, que deu a Lula uma camiseta do Corinthians."Estamos felizes em estar alinhados com o B dos BRICs. Estamos orgulhosos dos feitos do Brasil", afirmou a primeira-ministra.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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