MARCELO CHELLO/ESTADÃO - 15/1/2021
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Esvaziado e com pouco voto, PSDB do Rio aguarda decisão de Rodrigo Maia

Ex-presidente da Câmara, que recebeu convite para se filiar ao partido e deixar o DEM, teria de reconstruir a sigla, inexpressiva no Estado

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2021 | 15h30

RIO – Um PSDB esvaziado e com poucos votos espera, no Rio de Janeiro, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), ex-presidente da Câmara dos Deputados, caso ele resolva deixar o DEM e se tornar tucano. A legenda que já governou o Estado com Marcello Alencar (1995-1998) não elegeu vereador na capital em 2020. Na última eleição presidencial, seu candidato, Geraldo Alckmin, teve 2,44% do eleitorado fluminense. Amargou o quinto lugar, atrás do nanico Cabo Daciolo, que ficou com 2,47%. Maia teria, porém, espaço para liderar a sigla e reconstruí-la localmente.

Atual presidente regional do partido, o empresário Paulo Marinho afirma que desistiria do comando do diretório para oferecê-lo ao parlamentar. “É um gesto de aceno para mostrar o quanto gostaríamos da chegada dele. Estamos de braços e portas abertas”, diz Marinho. 

A eventual adesão de Maia ao PSDB reúne problemas e vantagens. Ele chegaria a uma sigla quase inexpressiva regionalmente há anos e precisaria reconstruí-la para lhe dar alguma relevância política. Mas a pouca importância do PSDB fluminense poderia ser favorável ao recém-chegado. Ele não disputaria espaço no partido com outros grupos e teria espaço para a migração de políticos de outras legendas. Enquanto isso, articularia uma frente para a eleição presidencial. 

Outras legendas consideradas pelo deputado, como o MDB e o PSL, têm históricos recentes conturbados no Rio. São partidos marcados, respectivamente, por escândalos de corrupção e associação ao bolsonarismo – este um adversário recente. Essas circunstâncias tornam o PSDB uma hipótese mais viável. 

Espera-se que nomes de relevância do DEM acompanhem o ex-presidente da Câmara em sua decisão. A capital fluminense tem hoje o prefeito Eduardo Paes filiado ao partido. Há ainda o presidente da Câmara Municipal, Carlo Caiado, e outros seis vereadores. O DEM é a maior bancada no Legislativo carioca, empatado com PSOL e Republicanos.

Há, no entanto, dúvidas quanto aos passos de Paes, que talvez não acompanhe Maia num primeiro momento. O prefeito da segunda maior cidade do País tem fugido do tema, mas aliados avaliam que o mandatário deve esperar um pouco antes de abandonar o DEM. O recente confronto de Maia com o presidente Jair Bolsonaro também pode afastar ou atrasar outras adesões.

O convite para entrar no PSDB foi feito a Maia por João Doria no último fim de semana, quando o deputado esteve em São Paulo. Ele se encontrou com o governador e o vice, Rodrigo Garcia (DEM), que acompanharia o ex-presidente da Câmara na troca de sigla. Com a possível filiação de Garcia, que deve concorrer ao governo em 2022 se Doria for mesmo candidato a presidente, os tucanos não precisariam abrir mão da hegemonia de mais de 25 anos no Estado. Antes, o acordo era apoiar o vice – que disputaria pelo DEM – em troca da aliança com o governador na eleição presidencial.

O desgaste de Maia com o próprio partido se deu nos dias finais da eleição para a presidência da Câmara. Foi quando Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado por ele, foi abandonado pela direção do Democratas. O partido é comandado pelo presidente ACM Neto, ex-prefeito de Salvador, com quem o carioca está em conflito. 

Marinho sonha com Felipe Santa Cruz

Nos planos de Paulo Marinho, o melhor candidato para o governo do Rio em 2022 é o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz. Ex-presidente da OAB-RJ, ele é visto como uma pessoa que tem, ao mesmo tempo, um histórico de luta pelo Estado e de oposição recente ao bolsonarismo. Antes de se considerar “de centro”, como afirmou em entrevista no programa Roda Viva, e de se destacar na advocacia, Santa Cruz tentou ser vereador pelo PT carioca em 2004. Não foi eleito. 

“Considero o Felipe um dos melhores quadros políticos de fora da política. Quando deixar a presidência da OAB, será um quadro que poderá disputar tranquilamente cargo majoritário no Rio”, afirma o tucano. Amigo de Eduardo Paes, o advogado também se aproximou recentemente de Doria – que, segundo Marinho, tem “muita estima” pelo advogado.

Filho do ativista político Fernando Santa Cruz, desaparecido político da época da ditadura militar, Felipe Santa Cruz ganhou destaque após o presidente Jair Bolsonaro menosprezar a morte de seu pai e dar a entender que sabia o que havia acontecido com ele nas mãos dos agentes da repressão. O advogado chegou a entrar com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o mandatário esclarecesse o que quis dizer. 

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