Estudo mostra quem é o idoso de São Paulo

Mulher, com pouco estudo, aposentada, proveniente do meio rural, que trabalhou em atividades predominantemente braçais e é dependente de medicamentos. Esse é o retrato do idoso paulistano, de acordo com pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública.Descobriu-se o que muitos já sabiam: ?a velhice é feminina?, como definiu a coordenadora Maria Lúcia Lebrão. Mas alguns dados surpreenderam os pesquisadores. ?Desconhecíamos o grande número de analfabetos e de pessoas que viveram no campo e tiveram acesso deficitário à escola, saúde e vacinação?, diz ela. De um universo de 2.143 pessoas, um em cada cinco idosos não sabe ler e escrever, 60% têm no máximo sete anos de estudo e 63% viveram no campo pelo menos por cinco anos. O estudo, feito em 2000 com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), estabelece o perfil da terceira idade na América Latina e no Caribe. Além do Brasil, sete países participaram do levantamento: México, Barbados, Chile, Uruguai, Argentina, Cuba e Costa Rica. As mulheres são a maioria, com 58% dos cerca de 1 milhão de idosos que vivem em São Paulo. Para cada 100 homens, há 142 mulheres na terceira idade. O número sobe no universo dos que têm 75 anos e mais ? vai para 179 ante 100. Cidade do México, por exemplo, tem 129 idosas para cada 100 idosos. ?Esperamos que esses dados sirvam de base para políticas públicas?, diz Maria Lúcia. Foi por causa do aumento de idosos, e da falta de estrutura para atendê-los, que a pesquisa foi feita. Em 2000, América Latina e Caribe possuíam 42 milhões de pessoas com 60 anos (8% da população). Em 2020, a expectativa é que tenha 82 milhões de idosos ? 2 milhões só em São Paulo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.