Estudo da ONU indica que Brasil melhorou

Dos 5.507 municípios brasileiros analisados no novo atlas do Desenvolvimento Humano (IDH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado nesta sexta-feira em Brasília, apenas 7 não conseguiram melhorar seus índices. O novo atlas foi feito com base em dados do IBGE de 2000, e o anterior, de 1991. No geral, o País melhorou. Apenas 23 municípios que tinham baixos níveis de desenvolvimento mantiveram a posição. Outros 972 melhoraram, passando para o nível médio e 555 alcançaram o nível alto.Em 1991, havia 19 municípios brasileiros com IDH alto - são 574, segundo o novo atlas. Aqueles com baixo IDH são agora 23 - eram 995. Em comparação a 1991, o índice aumentou em todos os Estados. O Ceará, que ocupava a 23.ª colocação entre as 27unidades da federação, foi o Estado que mais elevou seu índice,passando para a 19.ª posição. Roraima, Amazonas e Acre tambémmelhoraram, mas não tanto quanto os outros e, portanto, foram osque mais caíram no ranking.Para o diretor de Estudos Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ricardo Paes de Barros, o Brasil "experimentou uma revolução educacional" na última década. Entre os três indicadores analisados no IDH, a educação foi responsável por 60,78% dos avanços; a renda, por 25,78%, e a longevidade, por 13,44%.No novo atlas, a cidade de São Paulo perdeu 51 posições no ranking, passando da 18.ª colocação para a 61.ª, embora seu IDH tenha aumentado de 0,804, em 91, para 0,841. O Rio caiu da 25.ª para a 61.ª posição, embora registre aumento de IDH, de 0 797 para 0,842. "Isso mostra que os municípios com índices já elevados têm maior dificuldade de evoluir no IDH, enquanto os piores, através de ações às vezes simples e de boa vontade, acabam tendo um crescimento mais acentuado", explica a assessora do Ipea e da Fundação João Pinheiro, Maria Luiza Marques.MobilizaçãoEla cita como exemplo o pequeno município de São José da Tapera, classificado como o mais baixo IDH na versão anterior. Por causa do atlas, a comunidade e o poder público se mobilizaram. A freqüência escolar passou de 32% para 83% e a taxa de alfabetização de pessoas acima de 15 anos cresceu de 30% para 50%. Os moradores ganharam 8 anos em expectativa de vida. A renda per capita foi de R$ 33 para R$ 43 5. A cidade subiu 74 posições e o IDH passou de 0,366 para 0,528 similar ao de países africanos, mas já com nível médio de desenvolvimento.O Índice de Desenvolvimento Humano é baseado no cálculo de três indicadores: educação, que inclui as taxas de alfabetização e de matrícula, renda (PIB per capita) e longevidade. O ranking de 1991 foi refeito, segundo a nova metodologia de cálculo de renda e o mapa atual, com 5.507 municípios - eram 4.449 em 91. O novo atlas estará disponível no site www.undp.org.br, a partir de janeiro.

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