Estudo da FGV propõe corte de diretorias no Senado

Proposta prevê redução de 38 para 20 no número de secretarias da Casa

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2009 | 00h00

Estudo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido do Senado, revela o que desde março - quando teve início a crise institucional na Casa com a queda do então diretor-geral Agaciel Maia - vem sendo dito: a máquina administrativa está inchada. No diagnóstico, feito por 20 especialistas da FGV, é proposto, entre outras modificações, a redução das chamadas funções comissionadas, além de cortes nas diretorias das secretarias.As gratificações das funções comissionadas, que se somam aos salários, variam, em média, de R$ 1,3 mil a R$ 2,4 mil, dependendo do cargo. Em geral, as vagas são preenchidas por meio de indicações políticas.O levantamento completo será entregue ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pela própria equipe da FGV na próxima terça-feira, mesmo dia em que o senador promete apresentá-lo aos demais integrantes da Mesa Diretora e aos líderes partidários.Coordenador do diagnóstico, o professor e diretor da fundação Bianor Cavalcanti afirmou que, no levantamento, não foi feita auditoria financeira na Casa. Até porque, disse ele, a FGV não tem mandato para isso. "O que fizemos foi um trabalho profundo de reestruturação organizacional. E estamos sugerindo uma série de medidas, como a mudança nas gratificações", explicou ontem o coordenador ao Estado. Cavalcanti, no entanto, não quis falar em números. Ele destacou, porém, que os cortes são "substanciais e cuidadosos". O Estado apurou que a proposta da instituição fala em redução de 38 para 20 no número de secretarias da Casa. Além delas, o Senado dispõe de outras 70 subsecretarias. Desde que assumiu o Senado em fevereiro, a cúpula da Casa vem falando em reduzir o número de diretorias. O discurso foi reforçado depois da descoberta de que elas chegariam a 181 - mais que o dobro da quantidade de senadores. Sarney determinou, então, medidas como a exoneração de 50 diretores, mas quase dois meses depois nem todas foram cumpridas.CONTRATOA FGV foi contratada por R$ 250 mil e o convênio firmado prevê a continuidade do estudo estrutural. Em um primeiro momento, os auditores da fundação atacaram os setores chamados pela instituição como "áreas meios" e que reúnem os departamentos de gráfica, informática e arquivo. Segundo Cavalcanti, o estudo propõe uma "racionalização" da estrutura administrativa, além do que chamou de "revisão" dos níveis hierárquicos. "São ajustes necessários", completou. As medidas propostas pela FGV devem demorar para serem colocadas em prática. Sarney já avisou que pretende deixar o documento em análise pelos senadores por pelo menos 30 dias. A ideia é "dividir" com os colegas a responsabilidade das mudanças administrativas. Para o presidente do Senado, a reforma administrativa tem mais significado político do que de gestão, uma vez que a Casa está mergulhada em escândalos. Com a divulgação do levantamento da FGV, José Sarney espera mostrar para a opinião pública que age com rigor contra irregularidades e que consegue evitar que o Senado fique paralisado diante das recentes denúncias.FRASEBianor CavalcantiProfessor e diretor da FGV"O que fizemos foi um trabalho profundo de reestruturação organizacional, e estamos sugerindo uma série de medidas como a mudança nas gratificações"

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