Estudo avalia combinação de terapias contra o fumo

Um estudo finalizado em setembro pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostra que o tratamento que mistura adesivos e terapia consegue ajudar fumantes a abandonar o vício. De 26 voluntários acompanhados durante três meses, 21 conseguiram deixar o cigarro depois de participar de sessões psicoterapêuticas em grupo, combinadas com o uso de adesivos de nicotina.O resultado animou os pesquisadores, já que esse grupo de 26 fumantes era o que mais apresentava pontos negativos, nos mais de mil voluntários que participam de um grande estudo de avaliação de terapias contra o vício no Inca. Com mais de 60 anos, a maioria apresentava alto grau de dependência, fumava mais de dez cigarros por dia e começou a fumar com menos de 20 anos de idade. "O resultado nos surpreendeu porque, por causa de todos esses fatores, a expectativa é que poucos conseguiriam largar o vício. Mas ocorreu exatamente o contrário", afirma Silvana Rubano Turci, gerente da Divisão do Laboratório do Tabaco do Inca.Dos 26 fumantes, 85% receberam adesivos de nicotina em associação com sessões semanais de terapia em grupo. O restante foi tratado apenas com terapia. As sessões consistem em conversas com, no máximo, 12 fumantes em que um terapêuta tenta reverter a imagem que o cigarro tem para o fumante. "A maioria vê o cigarro como um amigo, um companheiro das horas de tensão ou angústia. O que fazemos nas conversas é tentar mostrar que, na verdade, ele é causador de doenças", explica Turci.O resultado do estudo dos 26 idosos foi o primeiro a ficar pronto porque eles não fazem parte, oficialmente, do grande número de voluntários (1.050) que está sendo acompanhado desde julho. Nesse estudo, o tratamento é o mesmo, mas os médicos do Inca avaliam as pessoas de 18 a 59 anos separadamente. Esta pesquisa ainda está em andamento. Os idosos foram incluídos em um grupo especial de pessoas com mais risco e maiores níveis de dependência e, como eram apenas 26, conseguiram chegar ao fim da pesquisa mais rapidamente. "Fizemos duas análises diferentes porque eles têm características bem distantes dos mais jovens", afirmou Turci.O grupo tem, em média, 64,7 anos, era formado por uma maioria de mulheres (14 contra 12) e seuis componentes mais do que três salários mínimos. Muitos já apresentavam problemas de saúde, relacionados ou não ao vício. Dos 26, 25% tinham dores no peito (angina), 12% sofriam com pressão alta, 15% tinham algum tipo de câncer e 10% apresentavam algum tipo de bronquite.Em comum, segundo os médicos, todos tinham uma grande motivação para parar de fumar. "E tenho certeza que foi isso que ajudou no sucesso do tratamento", diz a médica. Segundo ela, além do ganho para a saúde, interromper o fumo ajudou também muitos pacientes a serem mais aceitos pela sociedade. "Uma paciente disse que a neta, que antes reclamava do cheiro do cigarro, passou a visitá-la mais, e outro disse que tem menos problemas no trabalho."

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