Estudo aponta mudança no perfil da pobreza

Nos números do Censo 2000, o secretário Municipal do Trabalho de SP, Marcio Pochman, acredita ter encontrado uma nova definição do que seja a pobreza nos lares do País. Pobre não é mais quem ganha mal por pouca instrução, nessa análise. Também não se encaixa nesse perfil o homem que migrou em busca de oportunidades. O novo pobre brasileiro é mulher, jovem com bom nível de instrução, que mora na grande cidade onde nasceu. Chefia sua familia e está em busca de trabalho que lhe dê alguma renda.A comparação entre os levantamentos do IBGE de 1991 e 2000 aponta a tendência de crescimento do desemprego entre os chefes de família com esse perfil. No Brasil, os chefes de família sem nenhuma renda representavam 11,8% do total de pobres em 1991. Em 2000, esse índice chegou a 32,3%. Em São Paulo, é ainda maior. "Na capital, 40% dos pobres não têm renda", afirma Pochman. "Já havíamos identificado essa mudança na pobreza na capital."Ele estima que em 2010, se for mantida uma taxa de crescimento da economia de 2% ao ano, a quantidade de sem-renda será maior que a dos chefes de família com algum salário, entre as famílias mais pobres. Um problema que a seu ver modifica a forma como deve ser enfrentada a pobreza nas grandes cidades.Os programas de requalificação já não serviriam. "A proposta para combater a pobreza era qualificar a mão-de-obra, aumentar sua escolaridade." Mas o estudo revela que o índice de desempregados com alta escolaridade aumentou em 263% - era de 2,7% e passou para 9,8%, no País. O índice também cresceu mais entre as pessoas com idade variando de 25 e 39 anos.Jovens formados que sustentam suas famílias e não encontram vagas no mercado de trabalho. Nas cidades com mais de 300 mil habitantes foi onde essa realidade mais cresceu. "Não temos uma política de empregos para jovens no Brasil", disse.Apesar de tudo isso, houve uma queda no porcentual de chefes de família pobres. De 33,6%, caiu para 28,4%. Mas os números nem sempre entram em acordo. Em termos absolutos, esses chefes pobres aumentaram em 1 milhão. A falta de renda levaria as pessoas a atividades nas quais não apenas o trabalho é informal, como também o pagamento. "Aumentou a ocupação sem salário", disse. "O trabalhador não recebe, troca por alimento e moradia."

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