Estudantes voltam a protestar contra Ministro da Educação

O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, enfrentou hoje um protesto de estudantes durante a entrega de cartões do programa Bolsa-Escola, em Sorocaba, na Grande São Paulo. Cerca de 40 alunos da Faculdade de Tecnologia (Fatec) local, portando cartazes e apoiados por um carro de som, vaiaram o ministro quando ele deixava o local do encontro.Eles reclamavam contra o projeto do Ministério de criar cursos sequenciais na escola, que perderia sua condição de curso superior. Vinte policiais formaram uma barreira para impedir que os manifestantes se aproximassem do ministro.CoroPaulo Renato concordou em receber uma comissão de alunos mas aumentou a revolta dos estudantes ao informar que era o autor da proposta. "Esse projeto é meu, mas não é para acabar com a graduação", disse. Os alunos protestaram em coro: "Fatequiano quer estudar, Paulo Renato não quer deixar".Segundo Jefferson Mirim, porta-voz dos alunos, o plano desvincula a Fatec da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a transforma numa escola pós-técnica. "Não poderemos dar seqüência à carreira acadêmica, fazendo doutorado, por exemplo."ApoioAntes de enfrentar o protesto dos universitários, o ministro tinha recebido o apoio de um grupo de integrantes da União Sorocabana dos Estudantes (USE) à sua proposta de acabar com o monopólio na emissão das carteirinhas estudantis. O presidente da entidade, Rodrigo Ruiz, foi ao microfone para elogiar a medida.Paulo Renato garantiu que a Universidade Estadual Paulista (Unesp) vai instalar um câmpus em Sorocaba, atendendo a reivindicação de prefeitos da região. Segundo Paulo Renato, desde maio, quando foram entregues os primeiros cartões, o programa Bolsa-Escola teve a adesão de 1.974 das 5.561 prefeituras do País. Até o fim de setembro, mais mil prefeituras deverão aderir.PTPaulo Renato voltou a reclamar da baixa adesão das prefeituras da oposição, principalmente do PT, ao programa. "São poucas, proporcionalmente, as que estão aderindo." Ele afirmou que os prefeitos podem ser responsabilizados por privarem as crianças de um direito.Ele criticou, de forma indireta o PT, cujas prefeituras estariam boicotando o projeto, por considerar muito baixo o valor do benefício. "Ao mesmo tempo em que diz que R$ 15,00 são uma esmola, um partido da oposição defende um cartão de crédito de R$ 20,00 para os carentes. Nós não estamos dando cartão de crédito, e sim dinheiro todo mês."RealizadorO ministro se classificou como um candidato "realizador" ao confirmar sua disposição de concorrer à indicação do candidato do PSDB à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele afirmou que se acha capaz de atender as expectativas do eleitor brasileiro e destacou várias ações de seu Ministério, entre eles o Bolsa-Escola.Paulo Renato disse que já pôs seu nome à disposição do partido, de quem depende a escolha do candidato. "Se eu for o escolhido, vou à disputa com muita garra, pois tenho o que mostrar." Caso seja indicado outro candidato, o ministro disse que dará todo apoio. "Vamos unidos em torno de um nome."Elogiado pelo prefeito tucano de Sorocaba, Renato Amary, para quem Paulo Renato é "um dos responsáveis pela grande mudança vivida pelo País", o ministro disse que a educação é o caminho para reduzir os desequilíbrios sociais. "É a forma de melhorar as condições de quem vive na linha da miséria."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.