Estudantes mineiros criticam o Provão

Apesar de não terem havidoincidentes ou grandes manifestacões contra o "Provão" hoje, emBelo Horizonte, boa parte dos cerca de dez mil estudantes que sesubmeteram ao teste do Ministério da Educação (MEC) na cidadecolocaram em dúvida a utilidade do exame e se queixaram daformulação das questões. No Centro Federal de EducaçãoTecnológica (Cefet), zona oeste, que reuniu alunos daUniversidade Federal de Minas (UFMG), houve graduandos queentraram para fazer o Provão usando nariz de palhaço. De acordo com a formanda em Direito da UFMG, CamilaSilva Nicário, de 24 anos, além de ser falho no objetivo deavaliar o conhecimento dos universitários, o teste, aplicado hásete anos, ainda não mostrou ser necessário. "A natureza doprovão não ficou bem explicada para a ninguém", disse. "Porqueo ideal seria que, com base nos resultados, as universidadespropiciassem melhores condições de ensino, mas isso não temacontecido. Parece que o Provão serve apenas para fecharescolas", acrescentou. A estudante do último período de Psicologia CarolinaSilveira, de 24 anos e também da UFMG, levou duas horas e meiapara terminar a prova e saiu criticando o conteúdo do exame."Foram questões muito teóricas, distantes da práticaprofissional que vamos ter após a formatura", explicou. "Alémdisso, a maioria do que foi pedido é de coisas que estudamos noinício do curso e que, dependendo da área da psicologiaescolhida pelo aluno, não avaliam nada sobre o profissional queestá se graduando", acrescentou Carolina, que optou pelaPsicologia Organizacional. Até o fim da tarde, não havia um balanço sobre afreqüência dos cerca de 37 mil estudantes de 24 áreas inscritospara o Provão em Minas Gerais. Também não foi divulgado oporcentual de provas entregues em branco, fruto do boicoteproposto pela União Nacional dos Estudantes (UNE). Segundo Ricardo Garcia, integrante do Diretório Centraldos Estudantes (DCE) e graduando em Medicina pela UFMG, aexpectativa era de que alunos de diversos cursos, como o deJornalismo da universidade, que divulgaram manifesto sobre oassunto, aderissem ao protesto. "O Provão é limitado einadeqüado para avaliar o Ensino Superior. Entregar as provas embranco é a única forma de protesto, já que precisamos dodiploma", disse.

Agencia Estado,

09 de junho de 2002 | 19h34

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