Estudantes divididos quanto ao reinício das aulas

Sem aulas há 85 dias, os estudantes das universidades federais estão divididos em relação à possibilidade de cancelamento do semestre ? embora o Ministério da Educação afirme que as aulas já ministradas não serão desconsideradas.Há quem defenda o início do semestre tão logo a paralisação termine. Outros acreditam que as aulas devem ser reiniciadas somente no ano que vem.E ainda quem ache que a reposição das matérias perdidas, sem cancelar o semestre, é a melhor solução. A Universidade Federal Fluminense (UFF) discute nesta quarta-feira a questão.UFRJJá a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descarta o cancelamento, pois a medida fere a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de acordo com o Conselho de Ensino de Graduação (Ceg).Na UFRJ, onde o semestre teve início um mês antes da paralisação começar, a discussão é acalorada. Aqueles que tiveram aulas mesmo durante a greve não querem perder o semestre, assim como os formandos, que dependem do diploma de conclusão para conseguir empregos ou matricular-se em cursos de extensão.?Quem está se formando agora já está prejudicado de qualquer jeito. Nossa preocupação é também com os que vão chegar à UFRJ no ano que vem?, disse Isabel Mansur, coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE).UFFNa UFF, alunos farão ato nesta quarta-feira durante reunião do Conselho Universitário para sensibilizar os conselheiros a aprovar o novo calendário acadêmico.Os alunos teriam de se reinscrever nas matérias que cursavam antes da greve. Segundo Almir Cezar, coordenador-geral do DCE da UFF, alunos e professores deveriam voltar às salas de aula assim que a paralisação acabar.?Ao longo dos anos, a reposição tem sido a saída para greves longas. Consideramos essa opção adequada somente para casos especiais, como os formandos.?O Conselho de Ensino e Pesquisa da UFF deve ainda votar a questão para que o cancelamento seja oficializado. O reitor Cícero Mauro Fialho Rodrigues deve anunciar a posição da universidade nesta quarta-feira à tarde.Opinião da UNEO diretor de universidade pública da União Nacional dos Estudantes (UNE), Eduardo Almeida, teme o retorno às aulas sem que antes todas as reivindicações da categoria sejam atendidas pelo MEC. ?O movimento não pode ser desmoralizado. Os estudantes não deixarão de apoiar os professores?, afirmou Almeida.Em assembléia realizada nesta terça-feira, a Associação de Docentes da UFRJ (Adufrj) votou pela continuidade da greve. Nova reunião está marcada para o dia 21. Professores federais fizeram vigília nesta terça-feira na Cinelândia, no centro do Rio, onde montaram barracas para vender livros e tirar dúvidas dos alunos.Foram recolhidas assinaturas que serão enviadas para o MEC pedindo um acordo que atenda às demandas dos grevistas.ManifestaçõesO Dia Nacional da Família na Escola, data instituída pelo governo federal para integrar pais, alunos e professores, foi marcado no Rio por manifestações em frente às unidades do Colégio Pedro II, no Humaitá, zona sul, e São Cristóvão, zona norte.Pais, estudantes e sindicalistas distribuíram uma carta aberta à população, pedindo que a negociação do MEC com os professores seja retomada imediatamente. Os manifestantes fizeram um apitaço e passeata.

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