Estudantes da Ufes brigam há mais de 1 ano por direito a vagas

Quinze alunos perderam suas vagas para candidatos com pontuação menor, que entraram pelo sistema de cotas

Fabiana Cimieri, de O Estado de S. Paulo,

25 de maio de 2009 | 18h44

Quinze estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo aprovados no vestibular de 2007 ainda brigam na Justiça pelo direito às vagas, que perderam para candidatos com pontuação menor, mas que entraram pelo sistema de cotas. A Ufes reserva 40% das suas vagas para os alunos de escola pública, que tenham renda até sete salários mínimos.

 

Em março, uma liminar da 5ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região determinou que esses alunos fossem matriculados. Dois meses depois, a 4ª Vara Federal Cível de Vitória decidiu pela suspensão do direito desses alunos estudarem. Essa sentença acabou derrubando a liminar. "Já apelamos da decisão de 1º grau e pedimos a reedição da liminar", explicou o advogado do grupo Joubert Garcia de Souza Pinto.

 

"Essa geração está pagando um preço muito alto pelos desmandos sociais. Estou na Justiça defendendo o direito do meu filho, que foi aprovado com 131,88 pontos no vestibular. Alunos que fizeram 112 pontos entraram pela cota", disse o engenheiro agrônomo José Adílson de Oliveira, de 59 anos.

 

Seu filho, o estudante Saul Dalla de Oliveira, de 20 anos, acabou se matriculando no curso de medicina de uma universidade particular, onde paga R$ 2.500 mensais. "O reitor da Ufes acha que somos ricos, mas a família tem que se cotizar, abrir mão de outras coisas, para poder mantê-lo numa instituição privada", protestou Oliveira.

 

O reitor da Ufes, Rubens Rasseli, decidiu manter o valor de até sete salários mínimos de renda familiar para os candidatos ao VestUfes 2010 que optarem pela reserva de vagas. Rasseli decidiu vetar a resolução que reduziu este valor para três salários mínimos, por considerar que o objetivo do programa de inclusão social da Ufes visa a contemplar os alunos da rede pública de ensino, e que a redução do teto salarial restringiria um contingente significativo de alunos de participar do vestibular pela reserva de vagas.

 

A decisão do reitor foi tomada após reuniões e consultas feitas com segmentos da comunidade acadêmica. Rubens Rasseli salientou que vai propor ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) que retome o debate sobre a reserva de vagas com vistas ao VestUfes 2011.

 

Para 2010, porém, o teto salarial de sete salários está mantido. Segundo o reitor, o programa de inclusão social da Ufes será avaliado todos os anos, objetivando o seu permanente aperfeiçoamento. O Estado ligou para a reitoria da Ufes, que não irá comentar a decisão até o fim dos recursos.

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