Estudantes acusam reitor de manobra e descartam sair da UnB

Para desocupar reitoria, manifestantes exigem o cumprimento de 18 reivindicações em documento

Carolina Freitas, da AE

10 de abril de 2008 | 14h35

Estudantes que ocupam a reitoria da  Universidade de Brasília (UnB),  desde o dia 3 consideram o anúncio do afastamento do reitor Timothy Mulholland por 60 dias e sua substituição pelo vice, Edgar Mamiya, uma manobra para forçá-los a deixar o prédio. "É uma manobra do reitor. Só vamos cogitar a desocupação quando o reitor sair definitivamente", disse o estudante de Letras, Eduardo Zanata, coordenador de Organização do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB.  Veja tambémEstudantes da UnB rejeitam termo e mantêm ocupaçãoMEC quer parecer da Finatec sobre recursos para UnBReitor da UnB diz que não pretende deixar universidade Reitor da UnB aceita parte das reivindicaçõesJustiça manda estudantes desocuparem Reitoria  Para sair do local os manifestantes exigem o cumprimento de 18 reivindicações discriminadas em documento entregue ao Conselho Superior da UnB. "Nada menos do que isso nos fará deixar a reitoria", diz Zanata. "A luta é contra a política de Timothy na administração da universidade, que inclui até corrupção. Queremos uma mudança da estrutura da UnB." O Ministério Público Federal (MPF-DF) entrou com ação de improbidade administrativa contra o reitor por irregularidades no uso de verbas da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), vinculada à UnB, na reforma e decoração de seu apartamento funcional. O Tribunal de Contas da União (TCU) vem investigando as mesmas irregularidades. O fato de a próxima assembléia do movimento estar marcada para segunda-feira (14), ao meio-dia, aponta a determinação dos universitários em permanecer no prédio. Segundo o coordenador de Assistência Estudantil do DCE, Sérgio Lopes, estudante de Biblioteconomia, a desocupação não será votada antes dessa data. "Só discutiremos nossa saída nessa assembléia", disse. "O afastamento é uma vitória parcial. Estamos dispostos a continuar aqui até a saída definitiva do reitor e do vice-reitor." Além disso, entre as reivindicações dos alunos está a mudança na forma de eleger a direção da universidade. Hoje os votos de cada grupo têm pesos diferentes. Professores têm 70% de poder de voto, servidores, 15% e estudantes, 15%. Os jovens querem paridade. "As eleições hoje são antidemocráticas", critica Lopes. Greve  Na sexta, os estudantes deixarão as salas de aula para fazer uma manifestação em frente ao local onde se reúne o Conselho Superior da UnB. "Vamos pressioná-los a votar nossa pauta de reivindicações", diz Zanata. "A adesão à paralisação promete ser grande e o indicativo de greve estudantil está mantido."

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