Cyneida Correia/Estadão
Cyneida Correia/Estadão

Estudante que acusou senador por agressão diz que mentiu

Jovem registrou boletim de ocorrência contra Telmário Mota (PDT-RR), com quem diz ter se relacionado; ao Estado, Maria Nery de Melo afirma que inventou história

Cyneida Correia, Especial para O Estado

28 de julho de 2016 | 07h10

Boa Vista - “Vou contar a minha verdade”. Bonita, maquiada e cheia de atitude, a estudante de odontologia Maria Aparecida Nery de Melo, de 19 anos, afirmou ao Estado que mantinha um relacionamento amoroso com o senador Telmário Mota (PDT-RR), 58 anos. Em dezembro de 2015, ela registrou um boletim de ocorrência em que acusa o político de agredi-la. Na entrevista, porém, ela nega que tenha sofrido a violência e afirma ter mentido. O caso foi revelado pelo jornal Folha de S.Paulo na quarta-feira.

Munida de um termo de declarações dado em fevereiro de 2016 - dois meses após registrar a suposta agressão -, na Delegacia da Mulher em Roraima, ela contou que o boletim de ocorrência foi feito por conta de uma briga no relacionamento amoroso e que se machucou sozinha. “Estou esperando a Procuradoria da República me procurar e vou contar a minha verdade”.

A jovem disse que no dia 26 de dezembro comemorou o Natal em família com a presença do senador e que nesse dia bebeu demais, e enquanto dançava caiu e se machucou, ficando com pequenos hematomas pelo corpo. A visita de Telmário teria causado problemas no relacionamento amoroso que mantinha na época.

“Fui fazer a denúncia obrigada pelo meu namorado que tinha ciúmes do senador e queria que eu pedisse ordem de proteção contra ele. Usei o fato de estar machucada das quedas para dizer que tinha sido agredida, mas quando o advogado que contratei na época quis usar aquilo para pedir dinheiro, eu voltei atrás e registrei uma declaração contando que nada era verdade. Tudo que eu queria era afastar ele da minha casa por conta do meu relacionamento."

Ela disse que o namorado indicou um amigo advogado, que foi quem digitou a ocorrência contra o senador. O advogado foi posteriormente destituído por Maria. “Em lugar de o escrivão digitar tudo, quem fez foi o advogado que escreveu o que quis. Ninguém me perguntou nada. Não tive acesso e assinei sem ler, confiando no advogado, mas ele queria extorquir dinheiro dele [do senador] e me disse pra cobrar pelas entrevistas. Por isso não quis mais que ele trabalhasse em meu nome.”

A estudante denunciou ainda que recebeu visitas de assessores de um senador opositor que sugeriu pagar para ela dar entrevistas afirmando ter sido espancada. “Quando começaram a ir atrás de mim para explorar isso, me oferecer dinheiro, foi que vi que estava grave, aí pedi copia do boletim e vi que o que estava escrito não era o que aconteceu. Não tenho três anos de convivência com o senador. É mentira. Ele não me fez ameaças de morte, nem me deu socos, chutes e pontapés. É tudo mentira.”

Ela contou ainda que cancelou a procuração após o advogado cobrar R$ 15 mil reais dela. “Eu mesma fiz tudo na delegacia, que foi contar a minha verdade. Não tenho mais nada com ele [Telmário Mota], a não ser amizade. Me ofereceram dinheiro para dar entrevista, mas não quis dar entrevista e estou falando agora para que esse assunto seja explicado de vez”, afirmou. “Vou contar minha verdade.”

Delegacia da Mulher. A delegada Verlânia Silva de Assis, titular da Delegacia da Mulher em Roraima, contou que o caso foi remetido à Procuradoria Regional da República em Roraima em maio deste ano. E que, apesar do novo depoimento da jovem, não retirou a denúncia por se tratar de violência doméstica. "Ela declarou que não tem interesse em representar criminalmente contra o senador, só que a ação penal (por violência doméstica) é pública e incondicionada e não depende da vontade da vitima. O desinteresse pessoal da vitima só pode ser manifesto em juízo", disse a delegada.

Defesa. Em nota de esclarecimento, Telmário Mota negou as informações. “A própria Maria Aparecida Nery de Melo reconheceu a farsa oficialmente perante a delegacia, e afirmou ter agido motivada por interesses de pessoas que queriam tirar proveito da situação. Ela estava embriagada e não houve nenhuma agressão. Quando um homem simples, como eu, passa a incomodar adversários inescrupulosos, não há limites para a mentira e a calúnia. Não se engane, meu povo. Isto é mentira”, afirmou.

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