Estudante não tinha mesa para trabalhar

Caetê passou dois anos na Diretoria-Geral na mais absoluta discrição

Leandro Cólon, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2009 | 00h00

Um estudante de direito de 22 anos, filho de uma servidora e enteado de um poderoso delegado da Polícia Federal, passou dois anos na Diretoria-Geral do Senado na mais absoluta discrição. E ele admite que não tinha nem mesa para trabalhar. "Eu revezava a mesa com um estagiário", disse Caetê Beck Guerra Machado.Caetê é filho de Katherine Machado, casada com Renato Porciúncula, delegado da PF e braço direito do ex-diretor Paulo Lacerda. Ex-diretor de Inteligência, Porciúncula era do alto escalão da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Hoje está no Ministério da Justiça.Um ato secreto nomeou Caetê em 31 de agosto de 2006 para receber R$ 2,6 mil na Diretoria-Geral. Ficou dois anos no cargo. Saiu, também numa decisão jamais publicada, em setembro do ano passado, num ato assinado pelo hoje diretor-geral, José Alexandre Gazineo. Procurado pela reportagem, Caetê evitou dar detalhes sobre sua função no Senado. "Eu fazia serviços administrativos", afirmou. O jovem estudante negou qualquer indicação política para trabalhar no Senado.Sua mãe é funcionária comissionada da Casa desde 2004. Renato Porciúncula é padrasto de Caetê. "Vou ligar para ele e contar isso que você está me perguntando. Ele vai dar risada."Um mês antes da nomeação de Caetê, a PF comandou uma operação no Senado para investigar supostas fraudes em contratos celebrados sob o comando do ex-diretor-geral Agaciel Maia. O Operação Mão de Obra, deflagrada em 26 de julho, vazou para o Senado, informado previamente da busca e apreensão na Casa. Na ocasião, a PF negou vazamento de informações. Mas o Ministério Público Federal pediu esclarecimentos à polícia sobre um aviso prévio ao então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

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