Estrutura de seqüestro de Olivetto foi de US$ 100 mil

A estrutura para seqüestrar o publicitário Washington Olivetto, de 50 anos, um dos donos da agência W/Brasil pode ter custado US$ 100 mil. A suspeita é da polícia e está baseada no fato de o grupo ter pago aluguéis de casas e de uma chácara, estadias em hotéis, comprado carros e equipamentos eletrônicos. Os seqüestradores também viajaram para três capitais brasileiras, para o Exterior e financiaram um grupo de pelos menos dez pessoas por quase dois meses morando no Brasil.O soldado Sidney Gimenes de Oliveira, 29 anos, nove de Polícia Militar, foi a primeira pessoa a encontrar o publicitário, em um "quarto dentro de um quarto escuro" na casa da Rua Kansas, no Brooklin. "Ele estava assustado, debilitado, cansado, bem cabeludo e barbudo." Às 22h50 de sábado, um vizinho acionou a PM pelo telefone 190. Às 23 horas, o soldado Gimenes e seus superiores, que faziam ronda na região, foram acionados e às 23h03 já estavam na casa e, pelo rádio, o centro de informações da PM avisou que o local poderia ser um cativeiro. "Na hora eu nem me lembrava quem era Olivetto. Saquei a arma, fui para os fundos e arrombei a porta que dava para uma ante-sala da cozinha", conta.Os seqüestradores montaram em um quarto no andar superior dentro da casa um "cômodo" de madeira revestido com material anti-ruído e o monitoravam por meio de câmeras. "Quando entramos na casa, ele começou a bater para nos orientar." Ao abrir a porta e se identificar como policial, Olivetto, que estava sentado e vestia uma camisa e calça jeans, agradeceu aos policiais. "Graças a Deus. Não sei se pagaram o seqüestro ou não, só sei que estou sendo salvo e não vou me esquecer disso. Obrigado." No cativeiro havia livros, um acolchoado, algumas peças de roupas e um vaso sanitário improvisado. Ao sair do quarto, segundo o policial, ele não tinha noção de quantos dias tinha passado no cativeiro. Olivetto foi levado para um pronto-socorro e, depois, para casa. Essa foi a primeira vez que Gimenez libertou um refém de um cativeiro. "A sensação é do dever cumprido. Queria poder encontrar todos os que estão sumidos", disse, emocionado. Casado, pai de três filhos, ele conta que resolveu ser policial porque acha a profissão "muito bonita", apesar das dificuldades.

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