Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Estrategista de Obama evita falar da campanha de Dilma

Ben Self, que participou de palestra em São Paulo, teria sido contratado para assessorar João Santana

André Mascarenhas, do estadao.com.br,

15 Outubro 2009 | 11h39

Uma das estrelas da campanha que elegeu Barack Obama presidente dos Estados Unidos em 2008, o estrategista americano Ben Self se esquivou nesta quinta-feira, 15, de todas as perguntas sobre uma possível participação sua na campanha eleitoral brasileira do ano que vem. "Não vou confirmar e nem negar rumores sobre nossos clientes. Deixo eles se pronunciarem, se for do interesse deles", disse Bem, que abriu o seminário "Efeito Obama" em um luxuoso hotel de São Paulo.

 

Nas últimas semanas, rumores de que Ben deve participar da campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, circularam na imprensa. Ele não seria, no entanto, contratado pelo PT, como afirmou recentemente o presidente do partido, Ricardo Berzoini, mas pelo marqueteiro João Santana, que deve assessorar a candidata do PT nas eleições do ano que vem.

 

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Apesar de evasivo sobre os rumores, pressionado sobre as características dos pré-candidatos brasileiros, que não teriam o mesmo apelo de Obama, Ben disse acreditar que o carisma não é fundamental para que um candidato seja bem sucedido na web.

 

A avaliação vai de encontro com a argumentação de um dos organizadores do evento, o reitor da Escola de Gerenciamento Político da George Washington University, Christopher Arterton, que em recente entrevista ao estadao.com.br disse que o carisma de Obama foi um dos fatores que definiu o resultado de sua campanha.

 

E-mail é o caminho

 

Mais relaxado quando o assunto não era a sucessão de Lula, Ben, que é fundador da Blue State Digital, usou sua palestra para descrever a experiência durante a campanha de Obama, e, mais especificamente, como a tecnologia disponível pode ser aplicada para engajar um maior número de pessoas na campanha. Apesar de toda revolução da chamada web 2.0 – ou a internet altamente interativa, onde não há distinção entre emissores e receptores –, Ben destaca a importância do e-mail como ferramenta de comunicação com os eleitores.

 

"Há duas formas de fazer campanha. A primeira é tentar fazer a mídia tradicional falar de você. A outra, mobilizar as pessoas para que elas façam algo por você", explicou Ben. Assim, o e-mail seria um dos meios mais adequados para o aprofundamento da relação com o eleitor, uma vez que permite um contato direto e garante uma das regras fundamentais da campanha online: o engajamento. Nesse sentido, o e-mail se sobrepõe às outras tecnologias devido à velocidade com que ele se propaga.

 

O estrategista afirma ainda que uma das técnicas utilizadas para dar relevância à campanha é a criação de "pontos focais" – questões polêmicas que despertem a discussão entre os eleitores, gerando relevância para a campanha. "É preciso aproveitar os bons momentos, e não apenas cumprir a agenda tradicional da campanha", concluiu Ben.

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