Estratégia tucana de ‘colar’ no presidente é elitista, diz Dilma

Para petista, fato de presidente ter aparecido em eventos ao lado de Serra é fruto de uma

Bruno Boghossian, de O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 09h14

VITÓRIA - A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, classificou como "elitista" a estratégia de seu adversário José Serra (PSDB) de utilizar a imagem do presidente Lula em sua propaganda eleitoral na TV. "Acho um pouco arriscada essa tentativa, que parece supor que o nosso povo seja muito ingênuo. É uma visão elitista sobre o povo, de que ele não tem condições de ter senso critico."

 

De acordo com a petista, a assusta o fato de as críticas pesadas ao governo ocorrerem em debates durante a tarde e, à noite, o presidente Lula ser usado dentro de programas políticos.

 

Dilma classificou como resultado de uma "relação republicana" o fato de Lula ter aparecido em eventos ao lado de Serra no passado, mas alegou ter programas diferentes do adversário. "Não é possível confundir relação republicana nem com apoio, nem com nós estarmos no mesmo projeto", avaliou após participar de um comício em Vitória.

 

A candidata participou pela primeira vez de um evento oficial de campanha no Espírito Santo. Apesar de evitar um discurso baseado apenas em ataques a seus adversários, Dilma adotou uma postura crítica às plataformas tucanas nesta campanha. Após um almoço para cerca de 500 correligionários, rebateu o uso do ProUni e das escolas técnicas pelo partido.

 

"Aquela história de que não se pode olhar pelo retrovisor, vocês também não acreditem, porque, se a gente não olhar pelo retrovisor, a gente não aprende", disse, em referência a uma afirmação feita por Serra.

 

No fim da tarde, Dilma se reuniu com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), que declarou apoio à candidata nas eleições presidenciais. Depois de passear em carro aberto, a petista discursou para centenas de pessoas na Praça Oito, na região central, lembrou suas origens mineiras e os dias que passou nas praias capixabas na infância. Disse ainda acreditar que vai ser a primeira mulher a chegar à Presidência do País.

 

Garupa. O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, se posicionou ontem, no interior de São Paulo, sobre o fato de Serra ter vinculado sua imagem à do presidente Lula na campanha eleitoral. "O governador José Serra ficou oito anos querendo derrubar a moto do presidente Lula e agora quer sentar na garupa", brincou o ministro, avaliando que a campanha da candidata petista "está no rumo certo". "E a Dilma é a pessoa mais preparada", disse.

 

TSE. A coligação petista entrou ontem no Tribunal Superior Eleitoral com duas representações contra músicas veiculadas na propaganda de rádio do candidato do PSDB e deve entrar hoje com outra - contra o uso da imagem de Lula na propaganda de Serra veiculada quinta-feira.

 

O PSDB entrou com seis representações contra a campanha de Dilma por "invasão de tempo" de sua propaganda no horário de candidatos a deputado federal e a governador. Outra representação solicita direito de resposta de nove minutos, sob a alegação de que PT fez propaganda "sabidamente inverídica" referindo-se a Fernando Henrique Cardoso.

 

Colaboraram para a matéria Gustavo Porto e Eugênia Lopes

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