Estratégia do PFL é protelar processo

O adiamento da entrega do relatório do senador Saturnino Braga(PSB-RJ) favoreceu a primeira manobra dos aliados do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) para protelar a conclusão doprocesso que poderá resultar na cassação de ACM e do senador José Roberto Arruda (sem partido-DF).Os políticos baianos têmoutra estratégia para atrasar a conclusão dos trabalhos: anunciar que os integrantes do conselho de ética que manifestarem seusvotos poderão ser impugnados na hora da votação do relatório.Ainda faz parte das articulações dos amigos de ACM mostrar queele e Arruda cometeram crimes diferentes e que, portanto, merecem punições com graduações distintas.?Estamos diante de uma estratégia de ACM que quer adiar o processo para o segundo semestre, a fim de que o tema caia noesquecimento?, denunciou o senador Antero de Barros (PSDB-MT), inimigo do baiano.?Não vamos admitir estratégias, mas asregras básicas terão de ser cumpridas?, reconheceu o presidente do conselho, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), ao considerarlegal a manobra do senador Waldeck Ornéllas (PFL-BA) de pedir verificação de quórum na sessão de quinta-feira do conselho,adiando a conclusão dos trabalhos de investigação.Para evitar que problemas como esses se repitam, Tebet confidenciou a auxiliares que, no final de semana, vai pedir a todos osintegrantes do conselho que estejam presentes na reunião de terça-feira e nas demais.Tebet acha que fatalmente o processo se estenderá ao segundo semestre, mas considera difícil o assunto sair da mídia,como gostariam os pefelistas. ?Esse assunto só se esvazia se houver um fato novo no Senado?, comentou com assessores.O senador Ornéllas nega que estivesse usando de uma estratégia. ?Não é manobra nenhuma, foi apenas uma ponderaçãosensata, porque não é possível se votar nada em um conselho com 16 membros onde só cinco estavam presentes?, desabafou obaiano.?Não posso aceitar que o conselho de ética queira agir informalmente, pois não pode ter quórum no papel e não ter defato. Quem quiser votar que fique trabalhando até o final da sessão?, atacou Ornéllas. ?O conselho de ética precisa ser ético e daro exemplo.?O senador Antonio Carlos endossou as palavras do aliado. ?Só tinha adversários meus me atacando e me indagando,e o conselho precisa estar completo para trabalhar?, avisou.O senador Jefferson Péres (PDT-AM) considera normal que os políticos baianos tentem medidas protelatórias para salvar seualiado.Ele acha que adiar o julgamento pode beneficiar ACM porque certamente diminuirá a pressão. ?É direito deles?, avisouPéres, que rechaça, no entanto, a tentativa de se querer impedir que os senadores falem.?Não queiram confundir parlamento comtribunal de justiça. Aqui no Senado, o processo é político, em toda a sua tramitação?, desabafou. ?Não podemos ter as restriçõesde um juíz?, acrescentou Peres, lembrando que os políticos devem satisfação à opinião publica.Os aliados de ACM gostariam mesmo é que Arruda renunciasse ao seu mandato. Acham que assim ficaria mais fácil ?salvar? osenador Antonio Carlos, já que garantem que ele não ordenou a violação do painel e só não tomou providências quando soube doilícito para não permitir que a votação da cassação de Luiz Estevão fosse anulada. ?Foi uma razão de Estado?, alegou ACM.Para tentar embaralhar ainda mais o processo, houve parlamentar que chegou até a dizer que nesse processo também poderiaser envolvido o senador José Eduardo Dutra (SE), líder do PT, por omissão.Lembram que ele foi informado por ACM de comoteria votado a senadora Heloísa Helena (PT-AL) e não tomou providências.

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