Estratégia do governo lembra "bruxo" Golbery

Não é de hoje que os governantes brasileiros põem em prática a estratégia de dividir o campo adversário para governar. Táticas como esta do Planalto de incentivar, nos bastidores, a candidatura à Presidência do governador de Minas, Itamar Franco, poderiam levar a assinatura do "bruxo" Golbery do Couto e Silva. Estrategista do governo militar, o general aproveitou os ventos da redemocratização para pôr fim ao bipartidarismo e inaugurar o pluripartidarismo. O objetivo real era minar o crescimento do MDB, que passou a ameaçar a continuidade do regime.O pluripartidarismo, nesse caso, foi a fórmula para dividir o adversário. Enquanto a oposição ao governo do general João Figueiredo fragmentava-se, com o MDB pulverizado entre PMDB, PDT PTB, PT e PC do B, o bloco governista mantinha-se coeso e forte abrigado no PDS. Àquela altura, a anistia já havia trazido de volta à cena política o ex-governador Leonel Brizola que, depois de muito brigar pela legenda trabalhista com Ivete Vargas, a filha de Getúlio Vargas, foi derrotado e acabou fundando o PDT.Mas o pluripartidarismo teve suas inconveniências para o governo militar. Diante do risco de perder o controle do Congresso na votação do decreto-lei salarial 2.045, assinado pelo super-ministro (Agricultura, Fazenda e Planejamento) Delfim Netto, o jeito foi inaugurar a prática do fisiologismo. O preço para evitar a derrota foi entregar o comando da Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal) ao PTB da deputada Ivete. Garantiram-se, assim, os votos da bancada petebista ao governo, método usado com grande sucesso até o movimento pelas diretas. Em agosto de 1984, o fisiologismo e Paulo Maluf foram derrotados por Tancredo Neves, fechando as portas do laboratório de Golbery e dando início à Nova República.

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