Fabio Motta|Estadão
Fabio Motta|Estadão

Estratégia de Maia pelo Planalto é aumentar visibilidade com viagens pelo País

Ideia é que o presidente da Câmara percorra Estados para participar de atos de novas filiações do DEM

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

09 Janeiro 2018 | 11h27

BRASÍLIA - Apontado pelo DEM como possível candidato à Presidência da República, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ), definiu como estratégia aumentar gradualmente sua movimentação pública para se viabilizar como postulante ao Palácio do Planalto no pleito de outubro deste ano. A ideia é subir o tom do discurso eleitoral ao longo dos próximos meses, intensificando-o após a votação da reforma da Previdência no plenário da Casa, prevista para 19 de fevereiro.

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O partido também prepara uma agenda de viagens pelo País para tornar o parlamentar fluminense mais conhecido. A ideia é que o presidente da Câmara percorra Estados para participar de atos de novas filiações do DEM e de eventos públicos de ministros e governadores aliados. Com essas viagens, a legenda também espera que Maia aumente a interlocução com lideranças locais, o que, na avaliação da cúpula da sigla, ajudará a viabilizá-lo como candidato ao Palácio do Planalto.

Uma das etapas da estratégia se dará na convenção nacional do DEM, marcada para o próximo dia 6 de fevereiro. No discurso, ele pretende defender enfaticamente a agenda de reformas, principalmente a da Previdência, mas também vai propor uma pauta própria de mudanças para o País, para se distanciar da agenda exclusivamente econômica de Temer. "Ele fará um discurso de estadista. Será um marco", diz o deputado Pauderney Avelino (AM), secretário-geral do DEM.

Na convenção, o prefeito de Salvador (BA), Antônio Carlos Magalhães Neto, o ACM Neto, deve ser oficializado como novo presidente da legenda. Ele entrará no lugar do senador Agripino Maia (RN), que virou réu sob acusação de ter recebido mais de R$ 654 mil para destravar recurso do BNDES para empreiteira OAS construir a Arena das Dunas, estádio-sede da Copa do Mundo de 2014 em Natal. Neto é pré-candidato ao governo da Bahia neste ano.

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"O Rodrigo e o ACM Neto vão correr o Brasil. É natural que as duas maiores lideranças do partido visitem os Estados para fazer um debate sobre a conjuntura do País, traçar o cenário para o futuro, discutir as estratégias eleitorais deste ano", diz o deputado Danilo Forte (DEM-CE), aliado de Maia. Para o parlamentar cearense, o presidente da Câmara é hoje um dos nomes com mais viabilidade para ser candidato à Presidência da República, pela capacidade de interlocução, diz, que tem com base e oposição.

COM ALCKMIN

Maia disputa com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), e com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), para ser o candidato de centro-direita à Presidência. Os três buscam apoio da maioria dos partidos da atual base governista do presidente Michel Temer, que defende uma candidatura única ao Planalto entre os aliados para defender o legado de seu governo, sobretudo na área econômica.

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Segundo aliados, Maia vê hoje Alckmin como principal concorrente ao Planalto. Embora também atue como presidente da Câmara para minar uma possível candidatura do ministro da Fazenda, a avaliação do grupo do parlamentar fluminense é de que Meirelles não conseguirá se viabilizar, entre outros motivos, porque não terá apoio dentro do próprio partido para ser candidato, o que pode obrigá-lo a mudar de legenda de última hora.

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Cacique do PSD, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, atua para se viabilizar como candidato a vice-governador paulista na chapa do candidato que será apoiado por Alckmin. Um desses possíveis candidatos ao Palácio dos Bandeirantes é o senador José Serra (PSDB-SP), um dos principais aliados de Kassab - este foi vice-prefeito de Serra em 2005. Pensando em seu projeto pessoal, Kassab poderia minar a candidatura de Meirelles pelo PSD, obrigando o ministro a procurar outra sigla.

APOSTAS

Nesse cenário, Maia aposta em pelo menos duas frentes políticas. Em uma delas, tenta se firmar como líder do Centrão, grupo do qual fazem parte partidos grandes e médios, entre eles PP, PR, PSD, PRB e PTB, e que está sem liderança desde a prisão do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Na outra, investe numa aproximação com o MDB do presidente Michel Temer, partido com as maiores bancadas na Câmara e no Senado.

Com os movimentos, Maia busca afastar essas legendas de Alckmin. Além disso, com apoio oficial desses partidos, teria o maior tempo de televisão, o que o ajudaria a se tornar mais conhecido perante a população. No quinto mandato de deputado consecutivo, ele teve desempenho eleitoral tímido no último pleito, em 2014. Naquele ano, elegeu-se com 53.167 votos, três vezes menos do que seu melhor desempenho nas urnas, em 2006 (198.770 votos).

Maia quer intensificar sua atuação depois da reforma da Previdência para evitar sofrer críticas de atuar hoje como candidato em meio à discussão da proposta na Câmara. Aliados dele lembram que as movimentações do ministro da Fazenda para se tornar pré-candidato estão sendo criticadas e podem prejudicar a votação da matéria, na medida em que incomodam partidos que também possuem postulantes ao Palácio do Planalto.

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