Estratégia de Alckmin é inteligente e perfeita, diz analista

A estratégia do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), de se posicionar publicamente como pré-candidato tucano à Presidência da República na eleição deste ano, anunciando, inclusive, a saída da administração estadual até 1º de abril (data-limite para desincompatibilização de cargo para os candidatos) é "inteligente e perfeita". A avaliação é da cientista política Lucia Hippolito, que observa que a ação do governador obriga o prefeito da capital paulista, José Serra (PSDB), que também disputa a indicação do partido para ser o candidato presidencial, a "sair da toca" e dizer à população se pretende ou não ser candidato."O governador Alckmin faz o que tem que fazer, provocar o prefeito Serra até sair uma definição. Interessa ao governador cobrar uma definição de Serra e do PSDB sobre quem será o candidato, ao mesmo tempo em que sepulta a idéia de que Serra é o único candidato tucano", analisou Lucia à Agência Estado.Uma vez que Alckmin não poderá ser candidato à reeleição ao governo estadual, a cientista política acrescenta que "não havia outra alternativa" para ele a não ser se lançar candidato e romper, dessa forma, o calendário estabelecido por Serra de postergar o anúncio da eventual candidatura."O prefeito fez a bobagem de assinar um documento, durante a campanha pela Prefeitura, de que, se eleito, não deixaria o cargo para disputar a Presidência da República. Agora, além de administrar esse problema, Serra terá dificuldade para seguir o trabalho cuidadoso que vinha tocando de fechar o partido em torno de seu nome, em unidade", observou, ao lembrar que, em 2002, o então candidato presidencial do PSDB foi acusado de "dividir o partido"."A bola está com partido e nada está consumado em favor de Serra", acrescentou Lucia, ao ressaltar que, diferentemente do prefeito, Alckmin não enfrenta nenhuma hostilidade dentro do PSDB, tendo, inclusive, sido presidente do partido no Estado e mantido boas relações com todos os segmentos da legenda.Lucia entende também que as manifestações públicas de Alckmin também inviabilizam a estratégia dos chamados "serristas", desejosos de que Alckmin permanecesse à frente do governo de São Paulo até 31 de dezembro e, caso Serra saísse vitorioso no pleito federal, seria contemplado com um ministério. "O governador não perdeu a oportunidade""Caiu a hipótese de Alckmin permanecer no governo e se tornar ministro de Serra. Não sei se o governador tomou as decisões no momento certo ou com atraso - o próprio PFL entende que o momento de Alckmin já passou -, mas uma coisa é se anunciar candidato rapidamente e outra é demorar tanto e não sair, perdendo oportunidade. E o governador não perdeu a oportunidade", analisou.Para ela, o momento político brasileiro, não apenas dentro do PSDB, exige paciência, além de atenção para acompanhar quais serão os próximos passos do governador, do prefeito e das principais lideranças do partido. "Ainda não se sabe qual será a reação de José Serra porque não é bom para ele anunciar agora seu desejo de disputar a eleição. Assim como Serra, do lado do governo, o presidente Lula também se preserva e mostra que não tem interesse em dizer que é candidato, porque isso daria munição aos adversários", comenta. "Todo mundo está analisando e esperando. O momento exige muita paciência."

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