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Estouro da tucanada

Doria precisa tirar votos de Bolsonaro, mas quem está tirando, e animando os tucanos, é Moro

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2021 | 03h00

Enquanto o governador João Doria faz campanha em Nova York, em encontros na ONU e com agências financeiras, o PSDB vai assistindo, ou melhor, patrocinando, o estouro da tucanada no Brasil. Abre o olho, Doria!

O encontro, a foto e os sorrisos do governador Eduardo Leite com o candidato Sérgio Moro poderiam ser apenas um gesto de anfitrião, já que Moro está no Rio Grande do Sul para eventos do Podemos. Mas são o estopim para a dispersão no PSDB.

Péssimo para o partido, ruim também para o próprio Leite, que é jovem, promissor, e deveria seguir uma velha regra: quem disputa prévias se compromete com o resultado. Pode até trair, mas tem de disfarçar.

Com Leite aos sorrisos com Moro, Tasso Jereissati se bandeando para o ex-presidente Lula, Geraldo Alckmin nem aí para o PSDB e Aécio Neves um pote até aqui de mágoas, com que cimento e tijolos Doria vai construir sua candidatura? Ah! E Fernando Henrique e José Serra estão de molho.

Doria depende de tirar votos do presidente Jair Bolsonaro, mas quem está tirando é Moro. E a eleição vai caminhando para a consolidação de Lula como favorito (ao menos no primeiro turno), do tudo ou nada de Bolsonaro e de Moro como o fator novo, surpreendente – papel, aliás, que Leite se atribuía.

Por que Lula joga no ar o balão da vitória em primeiro turno com Alckmin? Porque sabe que a esquerda continua unida em torno dele e suas condições são muito favoráveis na fase inicial, mas que a parada vai ser dura, e incerta, no segundo turno, que é sempre uma nova eleição.

E, com recessão técnica, inflação, pratos vazios, a miséria, as barbaridades na pandemia e a total falta de discurso, sobram para Bolsonaro o Centrão e a mitificação: “Deus, família e armas”. Mas é preciso muito robô de internet para transformar a eleição num culto.

Ciro Gomes é um refúgio para a esquerda e a centro-esquerda que não engolem a versão de Lula de que o mensalão e petrolão foram “uma montagem política”. Moro, abrigo para bolsonaristas arrependidos.

No 1º turno, Ciro é adversário frontal de Lula, Moro é o pavor de Bolsonaro e tanto Lula quanto Bolsonaro avaliam o risco da terceira via. Até onde Ciro vai? Moro é fogo de palha? Doria terá capacidade de reunir cacos e penas do PSDB contra Moro?

E quem olha para os demais candidatos a presidente enxerga candidatos a vice, como Simone Tebet, única mulher, e Rodrigo Pacheco, presidente do Senado. O MDB é craque em ceder vices. O PSD finge que não, mas está bem adiantado nas tratativas com Lula.

Hoje, portanto, o foco está em Lula, Bolsonaro e Moro, com Ciro e Doria de esguelha.

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