Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

'Estou quase fazendo delação para pegar meus US$ 82 mi', ironiza Lula

Em posse da nova direção do PT paulista, ex-presidente ataca menção de Joesley Batista

O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2017 | 15h36

São Paulo - Em discurso na posse da nova direção do PT paulista, o ex-presidente Lula ironizou as denúncias contra ele na delação do dono da JBS, Joesley Batista. O ex-presidente insinuou que a menção que Joesley fez sobre uma conta em que Lula teria US$ 82 milhões em propina é falsa. "Joesley diz que tenho conta com US$ 82 milhões, mas a conta está no nome dele. Que cara de pau", afirmou.

Criticando a condução da Operação Lava Jato e o recurso de delação premiada, Lula afirmou que os empresários aprenderam a "palavra mágica": propina. "Isso porque vão fazer um acordo em que vão recuperar metade do que roubaram. Estou quase fazendo delação para pegar meus US$ 82 milhões que Joesley falou", ironizou.

Lula ainda disse que os deputados não podem acreditar que "tudo é propina", pois o financiamento das campanhas precisa de dinheiro. "Ninguém nunca vendeu a casa para fazer campanha. Tem de pedir dinheiro para quem tem dinheiro. Mas se quiser oferecer dinheiro por fora, eu não quero, quero por dentro."

Lula também voltou a criticar os procuradores da República integrantes da força-tarefa da Lava Jato. "Se tivesse Justiça nesse País, teríamos a exoneração dos procuradores da Lava Jato para o benefício do próprio Ministério Público", disse.

Segundo Lula, os procuradores "inventam mentiras atrás de mentiras." Quero que se coloquem no lugar deles. Não podem passar no concurso, ganhar R$ 30 mil e mentir para o povo." Lula também afirmou que a investigação da força-tarefa tem relação ideológica, porque questiona as alianças do PT com a América Latina. "A cabeça deles funciona pelo complexo de vira-lata. Só pode ter aliança com EUA, não pode fortalecer a América Latina", disse.

Ele ainda afirmou que o Brasil vai entrar para a história da humanidade como o País em que não se pode mais ser inocente. "Desde pequeno aprendi que precisa-se de provas para condenar alguém. Mas agora, se não tiver prova, você não pode ser inocente, tem de ser culpado", disse, referindo-se às investigações contra ele. 

 

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