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'Estou pagando muito caro', diz Paulo Roberto Costa

Ex-diretor da Petrobrás afirma, em seu 213.º depoimento à Justiça Federal na Lava Jato, que se não colaborasse com 'classe política', seria 'retirado de imediato' da estatal

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

17 Março 2017 | 10h53

RIO - O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa presta depoimento n​a manhã d​esta sexta-feira, 17, à ​9.ª Vara Federal, no Rio, no processo da Operação Lava Jato do qual são réus o ex-deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) e seus filhos Nelson Meurer Jr e Cristiano Augusto Meurer. Eles são acusados d​e corrupção e lavagem de dinheiro. 

​No depoimento, Costa disse estar pagando "muito caro" por seus crimes. ​Um dos delatores da Lava Jato, Costa, em conluio com o PP, é acusado de desviar cerca de R$ 358 milhões de contratos da Petrobrás. Condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e pertencimento a organização criminosa, o ex-diretor foi preso há três anos, e nos últimos quatro meses está em regime aberto​, fazendo serviço comunitário numa escola.​

"Eu infelizmente errei, e me arrependo profundamente. Estou pagando muito caro. Errei, a culpa foi minha. Eu já estava desgastado, chateado com esse negócio todo, sem suportar a pressão, que era muito forte. Muitas vezes, pensei em largar tudo. Podia ter feito, e não fiz"​​, disse Costa, em tom de lamento.​

​Integrante então da cúpula do PP, Nelson Meurer teria recebido R$ 29,7 milhões em repasses mensais de R$ 300 mil no período de 2006 a 2014. Em sua campanha para a Câmara dos Deputados, ficou, segundo a Procuradoria-Geral da República, com mais R$ 4 milhões em espécie, e outros R$ 500 mil na forma de doações eleitorais da construtora Queiroz Galvão. Seus filhos são acusados de terem intermediado o recebimento dos valores indevidos por funcionários do doleiro Alberto Youssef. Costa confirmou em seu depoimento que nas eleições de 2010 Meurer recebeu dinheiro sujo para a campanha.​

Todos ​o​s valores ilícito​​​s, conforme a PGR, compravam​ apoio político para a manutenção de Costa na Diretoria de Abastecimento da Petrobrás (ele ficou no cargo de 2004 a 2012) e a perpetuação do esquema. As investigações mostraram que a própria nomeação de Costa foi feita por indicação do PP, e que ele se tornou um operador do partido na estatal.​"

"Se eu não contribuísse com a classe política, no dia seguinte me retiravam (da Petrobrás), de imediato. Ou você está dentro do jogo, ou está fora ​", afirmou Costa no depoimento. 

Ele disse também que nas reuniões com políticos, inclusive em apartamentos funcionais em Brasília, não era discutida a divisão dos valores da propina, e sim projetos futuros da estatal. "O Nelson Meurer participava das reuniões, com outros deputados. Eles estavam sempre muito preocupados com perspectivas futuras, novos contratos da Petrobrás, porque eram novas fontes de receita ilícitas", relatou, ressalvando que Meurer era ativo nas tratativas sobre o esquema corrupto, mas não o principal líder. 

O ex-diretor contou também que no caso de atrasos de pagamentos das propinas, os deputados "cabeças" do PP, como José Janene e Mário Negromonte, além do senador Ciro Nogueira, ficavam "muito irritados", e convocavam reuniões para pressionar seus representantes e também ele próprio. 

"As empresas pagavam esses valores ilícitos à medida em que os contratos eram realizados. Eram contratos de três, quatro, cinco anos, e elas pagavam aos poucos. Era muito desagradável participar dessas reuniões, eu procurava não participar​, era constrangedor.​​ Essa demora causava perturbação e cobrança."​

​Costa disse, ao terminar de responder as perguntas, que foi seu 213.º depoimento na Lava Jato.​

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