'Estou desgastado demais com esse troço', diz Osmar Dias

Leia a entrevista do senador concedida ao Estado

Evandro Fadel, de O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2010 | 19h50

CURITIBA - Com voz abatida, demonstrando cansaço, o senador Osmar Dias (PDT-PR) atendeu ao telefone por volta das 18 horas nesta segunda-feira, 28. Tinha passado boa parte do dia, assim como o fim de semana, em reuniões para definir o melhor caminho: concorrer ao governo em coligação com PMDB e PT ou partir para a reeleição.

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Ele prefere o governo, mas aí seria o comandante do palanque de Dilma Rousseff (PT) no Estado. Entra em conflito com o pacto que tem com o irmão, senador Álvaro Dias (PSDB), de não haver disputa entre eles. Álvaro é cotado para vice de José Serra (PSDB). "Essa questão é forte para mim", disse. Osmar aguardava reunião entre PSDB e DEM a ser realizada ontem à noite. "Tem que decidir. Estou desgastado demais com esse troço."

 

Qual a tendência, neste momento, sobre seu futuro político?

 

Eu estou esperando a reunião do DEM, agora às 20 horas, com o PSDB, para definir o que fazer. Não quero antecipar nada.

 

Essa definição sai quando?

 

 Eu acho que depois dessa reunião vou ter como definir.

 

Pode-se esperar alguma coisa para terça?

 

Tem que haver. Tem que decidir porque não se aguenta mais isso. Eu, principalmente, estou desgastado demais com esse troço.

 

O senhor sentiu-se encurralado com a indicação do senador Álvaro Dias como vice na chapa do José Serra?

 

Nós temos um pacto de não disputar um contra o outro. Acho que a população não entenderia isso. Agora, eu já vinha como candidato a governador, estava com a aliança pronta, para anunciar, quando surgiu isso. Eu não tinha conseguido uma aliança, de repente ela apareceu na segunda-feira em Brasília, na terça e quarta nós fechamos, na quinta veio a notícia e aí embaralhou tudo.

 

Foi uma surpresa para o senhor?

 

Não foi surpresa porque vinha sendo conversado há algum tempo. Isso é que estava retardando e as pessoas achavam que era indefinição minha, mas não era. Era uma preocupação de não ficar em uma situação desagradável, como neste momento. Está muito difícil para mim.

 

No caso de o senhor ser candidato à reeleição, seria independente ou em coligação com o PMDB?

 

É cedo, eu vou esperar a reunião.

 

 E em relação à disputa nacional? A amizade com o Serra pesa?

 

O meu partido tem uma posição e não abre mão dessa posição. Sou amigo do Serra, mas tenho que seguir a orientação do meu partido.

 

O senhor acha que o eleitorado vai entender que, como o senhor diz, não há uma indecisão, mas a conjuntura é que tem levado a essa indefinição?

 

Pouca gente entende, eu estou em uma situação bastante complicada, num dilema pessoal, essa questão familiar é forte para mim, sempre foi. Principalmente do jeito que o Álvaro colocou na imprensa aqui, que a minha candidatura seria contrária aos interesses do Paraná em função da postulação dele. Isso seria muito explorado.

 

O senhor não tem o mesmo entendimento de que a sua candidatura seria contrária aos interesses do Estado?

 

Não. Estou preparado para ser governador. Eu me preparei, estudei o Estado, estou com projeto pronto. Mas tem que analisar essa situação nova, ela realmente é complicadora.

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