Tasso Marcelo/AE
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'Estou com medo', diz Jefferson sobre a cirurgia

Presidente do PTB fará nesta sexta-feira cirurgia para retirada de um tumor no pâncreas; ele é um dos 38 réus do mensalão

Luciana Nunes Leal

26 de julho de 2012 | 17h57

Aos 59 anos, o ex-deputado Roberto Jefferson, autor da denúncia do mensalão e um dos 38 réus do processo, está com medo. Confessou na manhã de quarta-feira, 25, ao se internar no Hospital Samaritano, em Botafogo, na zona sul do Rio, onde será submetido, na sexta-feira, 27, à cirurgia para retirada de um tumor no pâncreas. A uma semana do início do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), Jefferson, que teve o mandato cassado em setembro de 2005, diz que, desde a descoberta da doença, o veredito da Justiça tornou-se uma preocupação menor.

"Não vou falar que sou herói. Estou com medo. Não depende mais de mim, não estou mais no comando do navio. Mas estou muito bem espiritualmente", disse o ex-deputado, pouco antes de começar mais uma série de exames preparatórios. Além do tumor de 4 centímetros na cabeça do pâncreas, serão retirados também o duodeno e parte do intestino delgado e do canal do fígado. Não é só a cirurgia - que deve durar entre oito e dez horas - que preocupa Jefferson. O ex-deputado está na expectativa do resultado da biópsia, que apontará se o tumor é benigno ou maligno. Os exames indicam que o tumor não é o mais agressivo, mas o cirurgião responsável, Ribamar Azevedo, diz que é preciso esperar.

Além da retirara do tumor, Azevedo vai desfazer a cirurgia bariátrica a que Jefferson foi submetido em 2000. Será retirado o anel que estreita a entrada do estômago. "Vou reconstruir o estômago", diz o médico. Segundo Ribamar, a reversão da cirurgia é necessária porque a retirada de parte do pâncreas e de segmentos de outros órgãos diminui a absorção de alimentos e faz o paciente emagrecer. Se a redução do estômago fosse mantida, ele emagreceria além do limite saudável.

Jefferson recebeu o diagnóstico do tumor na quinta-feira, 19, dia seguinte da convenção do PTB que o reconduziu à presidência do partido por mais três anos. O comando partidário é sua principal atividade. O ex-deputado participou das negociações para as principais alianças destas eleições, como a coligação com o PRB de Celso Russomano em São Paulo. No Rio, ratificou a aliança iniciada em 2008 com o prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição.

Ao contrário do acordo que diz ter firmado com os petistas para as eleições municipais de 2004, em que o PTB receberia R$ 20 milhões do PT para a campanha de seus candidatos, Jefferson afirma que as alianças atuais não envolvem financiamento. "Os cuidados hoje são muito maiores", disse o líder petebista na quarta-feira, véspera da internação, em seu escritório no Rio. Em 2005, depois de denunciar o pagamento de propina a deputados governistas, Jefferson disse ter recebido R$ 4 milhões do PT. Foi incluído no processo do mensalão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, crimes que nega ter cometido.

"Em São Paulo, o próprio PTB vai financiar seus candidatos. No Rio, o material que roda para o Eduardo Paes roda para os candidatos do PTB, não envolve financiamento. Eduardo é meu amigo, foi do PTB. Um menino correto, faz um senhor governo. Não fica em restaurantes de luxo, não frequenta as cidades do circuito dos milionários, não faz foto com guardanapo na cabeça", disse Jefferson, no tom provocativo de sempre, em referência indireta ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), de quem, em tese, também é aliado.

Entre os candidatos a vereador pelo PTB carioca está a filha do ex-deputado, Cristiane Brasil, de 38 anos, que deixou a Secretaria Especial de Envelhecimento Saudável da prefeitura para fazer campanha. Jefferson estimula a carreira política da filha, mas não quer vê-la candidata a deputada federal. "Não deixei que ela fosse para Brasília. Lá ainda tem muita gente que me odeia. Depois do julgamento do mensalão começará um novo momento", justifica.

"As pessoas me abraçam na rua, estão acompanhando tudo em relação ao meu pai, sobre a cirurgia, o julgamento. Meus eleitores são principalmente da terceira idade, o conhecem desde O Povo da TV", diz Cristiane, lembrando o programa da extinta TV Tupi onde Jefferson ganhou notoriedade como advogado dos pobres.

A tensão por causa da cirurgia não desviou o deputado da paixão pelas motocicletas Harley Davidson - tem uma Road King e uma Fat Boy - e do hábito diário de fazer exercícios para manter a forma. Na terça-feira, no Samaritano, recusou a cadeira de rodas para passar de um sala de exames a outra. Tirou a roupa de hospital, vestiu calça, camisa e sapatos e foi andando. "Não vou sair de cadeira de rodas, se posso caminhar perfeitamente", reagiu.

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