Estilista faz mistério sobre roupa de Dilma

Luisa Standtlander, que desbancou estrelados do mundo fashion, deve optar por vestido clássico

Paulo Sampaio / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

31 Dezembro 2010 | 23h00

Nem Alexandre Herchcovitch, nem Glória Coelho. A estilista que vai vestir a presidente eleita Dilma Rousseff hoje, na cerimônia de posse – e provavelmente nos próximos quatro anos –, é a gaúcha Luisa Stadtlander. As duas são amigas há mais de 20 anos e têm estilos parecidos. Luisa ficou conhecida por realizar "uma moda clássica" em tecidos como seda, chantum e tafetá, e, também, por transmitir confiança a "mulheres mais cheinhas".

 

"Ela faz alfaiataria, roupa bem cortada, discreta, mas com uma pitada de contemporaneidade", define a estilista Solaine Piccoli, que há mais de 40 anos assina os vestidos de noivas e madrinhas da alta sociedade gaúcha e é, ela própria, cliente de Luisa.

 

Um pouco vaga, a expressão "clássico discreto" pode, com base no que Dilma tem usado, significar tanto um "terno sequinho" como um "rendão lusco-fusco", do tipo que ela usou na diplomação, no mês passado. "Até pelo cargo que ela vai exercer, não combina usar trajes fashion", acredita Solaine.

 

Praticamente impedida por Dilma de dar entrevistas sobre o traje da posse, Luisa contou ao jornal Zero Hora, de Porto Alegre, que fez um "pacto de confidencialidade" com a presidenta. Ela não dá pistas de como será a roupa da posse: "Somos mulheres muito parecidas, não perdemos tempo com devaneios, vamos direto ao ponto."

 

Sua loja fica no bairro Moinhos de Vento, espécie de Jardins de Porto Alegre. Luisa, de 62 anos, também é dona de uma confecção de "vestuário profissional" (arrumadeira, copeira, motorista, etc) chamada Office Colection.

 

De acordo com estilistas, o maior desafio de Luisa para a cerimônia de posse é apresentar um modelo que alongue o pescoço de Dilma – que costuma se sobressair quando a presidente eleita aparece discursando na TV, com a câmera fechando em seu rosto. "Ela deveria apostar em decotes verticalizados, para alongar e evitar a impressão de achatamento", opina a estilista gaúcha Patrícia Pontalti, do blog fashionista As Patrícias.

 

Como desta vez Dilma também vai aparecer em carro aberto, de pé, a estilista Mara Mac Dowell, sucesso há mais de 30 anos entre as mulheres sofisticadas da faixa etária de Dilma, sugere algo que alongue a silhueta da presidente, como um tailleur de linho. "O linho tem um toque de brilho e acrescenta feminilidade, com cores sóbrias. O casaco com gola afastada do pescoço tem leveza e a modernidade fica por conta do degrau em clima de superposição. O sapato acompanha os tons e tem biqueira preta", diz Mara.

 

Logo no início da campanha, alguns estilistas de renome foram cogitados para vestir a candidata do PT. O primeiro da lista era Alexandre Herchcovitch, conhecido como o estilista mais à esquerda no mundo fashion. Mas Dilma tornava-se irritadiça toda vez que tinha de escolher roupas para parecer uma candidata moderninha, "com tanta coisa mais importantes pra resolver". Alexandre não comenta o assunto.

 

Glória Coelho foi lembrada e chegou a encaminhar suas ideias aos assessores de Dilma, mas não obteve sucesso.

 

Em relação ao cabelo, o escolhido foi Celso Kamura. Iindicado por Marta Suplicy , ele diz que se inspirou em Carolina Herrera para cortar o cabelo de Dilma.

 

"Optei por um corte curto e tirei a lateral e a parte de trás que a deixava gorda. Desfiei bem a lateral e a nuca e projetei o volume para a parte de cima, para fazer com que a imagem dela ficasse mais longilínea." É de Kamura também a maquiagem. "Quis algo leve, contornando os olhos com preto, para reforçar o olhar forte."

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