Estevão desiste de disputar licitação do TRT

O ex-senador Luiz Estevão, presidente do Grupo OK, recuou em cima da hora e não participou da abertura da licitação para retomada das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo. A decisão de Estevão surpreendeu a Comissão de Licitação, procuradores da República e magistrados do Tribunal Regional do Trabalho que aguardavam, em meio a um clima de forte apreensão, que o ex-senador comparecesse à audiência pública, iniciada às 10 horas de hoje, na sede do TRT. Nem Estevão nem nenhum representante de suas empresas apareceu, para alívio declarado das autoridades que previam "complicações" se o ex-senador participasse do negócio. Ele é réu em ação civil de improbidade administrativa por suposto envolvimento em desvio de R$ 196,7 milhões das obras, contratadas em fevereiro de 1992. A construção está abandonada desde setembro de 1998, quando o Ministério Público Federal identificou superfaturamento. Um plano estratégico havia sido preparado para rejeitar qualquer proposta do OK, ainda que seu preço fosse menor que os dos concorrentes. Estevão seria barrado de qualquer forma. "Se resolvesse brigar, que fosse à Justiça", declarou um técnico do TRT. Dez empreiteiras compraram o edital de 300 páginas, entre elas o Grupo OK, mas apenas quatro apresentaram propostas técnicas e comerciais - Construtora OAS, Schain Engenharia, Planova Planejamento Construções e MPC Engenharia -, dispostas a assumir polêmico empreendimento orçado em R$ 45 milhões. O processo foi interrompido porque duas empresas - Planova e Schain - apresentaram recursos administrativos. Os trabalhos serão reiniciados na terça-feira. Segundo Estevão, "razões muito simples" o fizeram desistir do negócio. Ele notou que 20% dos recursos previstos estão indexados ao dólar - R$ 9 milhões deverão ser investidos na compra de equipamentos importados, como elevadores, pontos de lógica e de informática. Se o reajuste contratual não for compatível com o dos insumos "o negócio não é bom". Estevão avalia que o TRT não terá condições técnicas e fluxo financeiro para cumprir o prazo de 24 meses. E desafiou: "O Ministério Público não precisa ir longe atrás de irregularidades basta investigar as obras da futura sede da Procuradoria-Geral da República em Brasília."

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