Estética do 'bonitinho, mas ordinário' cede lugar a propostas

Para analistas, eleições pelo País tiveram ataques, mas foram principalmente marcadas por propostas e discursos

Andréia Sadi e Gisele Silva, do estadao.com.br,

07 de novembro de 2008 | 10h07

As campanhas eleitorais em todo o País avançaram este ano quanto ao seu conteúdo e  propostas, segundo análise do professor da USP e consultor político, Gaudêncio Torquato. Para ele, perdeu força a estética do "bonitinho mas ordinário" e ganhou força o discurso - deixando a forma de lado.   Veja também: Galeria : campanhas marcadas pelo marketing político Eleição é uma 'guerra' e vale tudo para vencer, diz consultor Pesquisa aponta custo de US$ 53 mi para se eleger um prefeito Para analistas, candidatos não são 'produtos' em prateleiras  Geografia do voto   Eu prometo   Especial traz o mapa eleitoral com as vitórias em todas as capitais   Mapa traz desempenho de Marta e Kassab   Mapa traz desempenho de Gabeira e Paes    Recado das urnas é que eleitor votou na diversidade, diz cientista político da USP    "As campanhas no Brasil este ano tiveram uma evolução no conceito porque os conteúdos tiveram mais importância do que no passado. Aqui em são Paulo é um exemplo. O (Gilberto) Kassab e a Marta (Suplicy) claro que se xingaram, mas o eleitor sabe razoavelmente o que é AMA, CEU. As propostas ficaram nítidas e acentuadas".   A afirmação do consultor encontra eco na opinião do professor José Paulo Martins Junior da Fundação da Escola de Sociologia Política de São Paulo: "O Kassab tinha algo a mostra. Ele estava mais perto dos problemas cotidianos, se voltou mais para isso".   Ele diz, no entanto, que a candidata petista derrotada não conseguiu se apropriar de temas importantes explorá-los como deveria e acabou perdendo espaço para Kassab inclusive em projetos considerados de sua autoria. " (Só) No transporte público ela conseguia. Mas até na educação, no CEUs, que é dela, ele (Kassab) conseguiu incorporar o projeto".   Para Emannuel Publio Dias, da ESPM, a propaganda de Marta errou em dois momentos. "Ela tentou desconstruir Kassab como político, levantando ligações com Pitta, Sarney, as pessoas não sabem mais quem é Sarney. A ligação política é muito sofisticada e o publico sofisticado não vota na Marta. E o segundo erro é o conhecido (a peça publicitária que questionava a vida pessoal do prefeito reeleito)".   O presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos, Carlos Manhaneli, argumenta que as propostas foram muito parecidas na campanha em São Paulo e o que possibilita diferencias os candidatos é, na verdade, o pós-eleições. "O que diferencia uma campanha da outra são as ações que vai implementar depois de eleito para resolver os problemas - mas os problemas são os mesmos".   Manhaneli vai além ao justificar como um dos motivos da vitória de Kassab a sua habilidade em não deixar as propostas de sua campanha passar apenas como uma imagem de promessa ao eleitor.   "As propostas entram no campo das promessas e as promessas entram no campo da credibilidade. A grande diferença do Kassab foi essa - as obras estão muito frescas na memória dele como não estão na da Marta nem a do Alckmin", concluiu.

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