Estatuto do PT terá que ser respeitado, avisa secretário

O secretário-geral da Presidência da República, Luiz Dulci, mandou um aviso aos radicais do PT, que pretendem organizar uma mobilização contra as propostas das reformas previdenciária e tributária. No último final de semana, as críticas se intensificaram, quando representantes do PT como a senadora Heloísa Helena (AL) e do deputado Lindberg Farias (RJ) ameaçaram recorrer à Justiça, para impedir o uso de recursos públicos nas campanhas publicitárias das reformas."Desde que o PT foi fundado, todas as pessoas que se filiaram e foram eleitas pelo partido, conhecem o estatuto e naturalmente estão de acordo com ele", avisou. Dulci reiterou também que os membros do PT "sabem que o partido tem a tradição de discutir livremente as propostas, mas depois que as propostas são decididas democraticamente e por maioria, todos devem seguir". O secretário-geral da Presidência negou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha fechado o projeto com margem de manobras, para negociação com os parlamentares. "A proposta que o governo encaminhou não foi uma proposta tática, no sentido de incluir questões só para depois serem retiradas. O governo encaminhou propostas que foram amplamente discutidas na sociedade brasileira e optou por aquela que considera a melhor", afirmou. Ele classificou a reforma da Previdência não deverá tirar os direitos de grande parcela dos servidores públicos. Luiz Dulci participou hoje do Café Parlamentar, promovido pela Associação Comercial de Minas (AC Minas). ReformasDurante palestra, Dulci afirmou as reformas são imprescindíveis para criar um clima favorável ao crescimento, com o combate da sonegação fiscal, simplificação de arrecadação e desoneração da produção. Para o secretário, caso o governo não consiga aprovar 100% das reformas desejadas, já terá sido um grande passo. "Se no final das votações conseguirmos aprovar 70% das reformas que gostaríamos, terá sido melhor do que ficar querendo 100% e não conseguir nada", disse em uma alusão ao governo Fernando Henrique Cardoso. Por diversas vezes o secretário revelou que o atual governo tem tido "ousadia" nas negociações dos projetos, junto a governadores, o parlamento e a sociedade civil. "A preocupação do presidente não é com a popularidade, mas com o apoio substancial da sociedade civil, para que ao final de quatro anos tenha cumprido com boa parte dos compromissos essenciais da campanha", concluiu. Dulci confirmou que na próxima quarta-feira, todos os governadores deverão acompanhar o presidente no percurso entre o Planalto Nacional e o Congresso Nacional, para entregar as propostas das reformas "Como o presidente disse, as reformas não são do Executivo, são também dos governadores, dos prefeitos e esperamos que seja também do Congresso Nacional", declarou.

Agencia Estado,

28 de abril de 2003 | 12h58

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