''Estão faltando foco e objetividade ao Itamaraty''

Rubens Barbosa: ex-embaixador

Entrevista com

Daniel Bramatti, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

Para Rubens Barbosa, embaixador do Brasil em Washington no governo Fernando Henrique Cardoso, a derrota da ministra Ellen Gracie na Organização Mundial do Comércio mostra que o País precisa redefinir sua política de ocupação de cargos em organismos internacionais. A seguir, trechos de entrevista.A derrota da ministra Ellen Gracie na tentativa de obter uma vaga na OMC evidencia falhas na política externa brasileira?Creio que sim. Estão faltando foco e objetividade na defesa de candidatos a cargos em organismos internacionais. No passado, o Itamaraty era mais cauteloso, defendia candidatos que tivessem chances reais. Hoje não sabemos quais são os critérios de escolha. Tanto que, no caso da Unesco, o Itamaraty apoia um egípcio contra um candidato brasileiro. Como o senhor analisa a tendência do atual governo de buscar aproximação com países do terceiro mundo, sem grande peso no cenário internacional?O problema maior na atual política externa é uma tendência de tomar decisões com base em afinidades ideológicas. A crise econômica está mostrando que os resultados do comércio exterior foram ilusórios. Os ganhos não se deveram à política externa, mas ao crescimento da economia mundial e à alta demanda por commodities. A aliança com o sul não tem sustentação.O sr. vê chances de conquista de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU?O Brasil tem todas as credenciais, mas isso não depende dele. A reforma na ONU só será feita quando os Estados Unidos mudarem de posição. Não adianta ficar em campanha, pois não existe esse debate hoje. Não vejo, no curto prazo, a possibilidade de mudança de posição dos norte-americanos. Quando isso acontecer, o Brasil deverá naturalmente entrar no conselho, por seu peso e sua importância.

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