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'Estamos no volume morto', afirma Lula a dirigente religiosos

Petista admitiu que ele, Dilma e o PT estão em situação difícil e que a sucessora descumpriu promessas de campanha

O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2015 | 19h24

SÃO PAULO - Diante de uma plateia com mais de 30 dirigentes religiosos, reunidos na sede do Instituto Lula, em São Paulo, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que a popularidade do governo de Dilma Rousseff e do próprio PT está em baixa e que a sucessora descumpriu promessas de campanha. “Dilma está no volume morto, o PT está abaixo do volume morto, e eu estou no volume morto. Todos estão em uma situação muito ruim”, declarou Lula, segundo reportagem publicada neste sábado pelo jornal O Globo

De acordo com o ex-presidente, foi feita uma pesquisa nas cidades de Santo André e São Bernardo do Campo, berço do partido, na qual a rejeição ao governo petista chega a 75%. “Entreguei a pesquisa para Dilma, em que só temos 7% de bom e ótimo”, disse aos religiosos.

Apesar disso, Lula não acredita que seja motivo para desanimar. Ele afirmou ter dito à presidente, sobre o estudo: “Isso é para você saber que a gente tem de mudar, que a gente pode se recuperar. E entre o PT, entre eu e você (Dilma), quem tem mais capacidade de se recuperar é o governo.”

O encontro teve como objetivo reaproximar o PT de sua base social. Os religiosos presentes não pouparam críticas ao governo e ao partido, e defenderam que a legenda volte às origens e se reaproxime dos trabalhadores. Lula concordou e disse que os petistas trocaram a discussão política pelo mandato.

De acordo com o ex-presidente, Dilma tem dificuldade para ouvir até mesmo seus conselhos. E admitiu que é difícil para a presidente viajar pelo Brasil e falar sobre sua gestão. “Falar com a população não é agendar para falar na televisão.”

Para Lula, os petistas não podem temer vaias - e os ministros também “têm de falar”. “Parece um governo de mudos”, afirmou. “Os ministros que viajam são os que não são do PT.”

Promessas. Lula reconheceu também que Dilma descumpriu promessas de campanha. “Tem uma frase da companheira Dilma que é sagrada: ‘Eu não mexo no direito dos trabalhadores nem que a vaca tussa’. E mexeu”, lembrou. Depois, citou outra frase da presidente como exemplo: “Eu não vou fazer ajuste, ajuste é coisa de tucano”. “Os tucanos sabiamente colocaram isso (no programa de TV do partido) dizendo que ela mente. Era uma coisa muito forte. Fiquei muito preocupado.”

Segundo Lula, o governo não dá boas notícias ao Brasil. “Depois das eleições de 26 de outubro, qual é a boa notícia que demos para este País?”

No encontro, o petista voltou a questionar o processo do mensalão. “Não acredito. Pode ter havido qualquer outra coisa, mas duvido que tenha havido compra de voto”, disse. Segundo Lula, os petistas saíram derrotados no caso por tratá-lo como questão jurídica, e não política.

Para o ex-presidente, o atual momento vivido pelo PT é ainda o mais dramático da história do partido, e há um “mau humor” generalizado. “Jamais vi o ódio que está na sociedade.”

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