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‘Estamos fazendo um julgamento de mentirinha’, diz advogado de Roberto Jefferson sobre ausência de Lula

Marcos Valério aponta Lula como chefe do esquema de compra de apoio político

Ricardo Brito / O Estado de S. Paulo,

15 de setembro de 2012 | 16h56

O advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, que defende o presidente do PTB, Roberto Jefferson, afirmou neste sábado, 15, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria estar entre os réus do processo do mensalão. "Estamos fazendo um julgamento de mentirinha", disse Corrêa Barbosa, ao comentar a reportagem publicada neste final de semana pela revista Veja. De acordo com a publicação, o publicitário Marcos Valério, segundo pessoas da sua intimidade, apontaria Lula como o chefe do esquema de compra de apoio político.

O defensor de Jefferson foi autor no Supremo Tribunal Federal (STF) de vários pedidos de inclusão do ex-presidente no rol de acusados, desde que o caso chegou à Corte em 2005. O colegiado, contudo, barrou todas as investidas. Na última delas, no dia 15 de agosto passado, o Supremo decidiu que apenas o Ministério Público, por competência legal, é quem pode investigar a participação do ex-presidente no episódio.

Para o advogado, as declarações demonstram que o suposto sistema montado para manter Valério e outros envolvidos no caso em silêncio começou a falhar, diante da iminente perspectiva de réus do processo ir para a cadeia. "Agora a zaga do Lula começou a deixar a bola passar", ironizou.

Corrêa Barbosa disse que, se não ocorrerem cobranças da opinião pública, uma investigação do Ministério Público contra o ex-presidente não vai adiante. Isso porque ele se diz descrente com o fato de o MP abrir uma apuração sobre o envolvimento de Lula. Ele se disse "muito decepcionado com esse pessoal", referindo-se aos procuradores da República.

O advogado de Roberto Jefferson disse que, pela lei, o MP tinha 15 dias para analisar o caso e, se não encontrar indícios de envolvimento do ex-presidente, enviar um pedido ao Judiciário para arquivar a apuração. Se tiver elementos para levar adiante no período, pedir abertura de inquérito. Numa comparação, ele lembrou que o caso do senador cassado Demóstenes Torres (sem partido-GO) demorou três anos para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pedisse a abertura de inquérito ao STF.

O presidente do PTB será um dos réus que começa a ser julgado a partir desta semana por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por ter recebido dinheiro para votar, segundo a acusação, favoravelmente ao governo no Congresso.

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