Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE

Estamos em 'situação de emergência', diz ministro após denúncia de espionagem

Dilma convocou Gilberto Carvalho para reunião no Planalto nesta manhã; encontro, que não estava previsto na agenda oficial, deve discutir suposto monitoramento de agência dos EUA

Atualizado às 12h33, Tânia Monteiro - O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2013 | 10h09

O ministro-chefe da da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, afirmou na manhã desta segunda-feira, 2, que o governo está em "situação de emergência" em razão das denúncias de espionagem à presidente Dilma Rousseff e a seus assessores pela Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. Carvalho foi um dos assessores convocados por Dilma para uma reunião nesta manhã. O encontro não estava previsto na agenda oficial da presidente.

"Estamos numa situação de emergência por causa dessas denúncias de espionagem", afirmou o ministro, referindo-se às novas denúncias, reveladas por reportagem programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo, 1º. Carvalho ressalvou, no entanto, que não sabia se esse era o assunto do encontro, mas que estava sendo convocado pela presidente para uma reunião.

O ministro participava da abertura do 4º Fórum Interconselhos do Plano Plurianual (PPA) e justificou que não poderia permanecer no evento por ter sido convocado para um encontro com a presidente. "Não sei se o assunto é esse". Questionado pela imprensa, o ministro evitou fazer mais comentários e alegou pressa para ir para o encontro.

 

Participaram também da reunião os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Celso Amorim (Defesa), e Paulo Bernardo (Comunicações). O novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, também foi ao Planalto, depois de se reunir com o embaixador norte-americano no Brasil, Thomas Shannon. 

Nesse domingo, à TV Globo, Cardozo classificou o ato do governo norte-americano como "inadmissível" e afirmou que cobrará explicações formais. Nesta tarde, Cardozo e Figueiredo vão falar sobre as denúncias, segundo informações da assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores.

Em seu perfil no Twitter, a ministra-chefe da secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse que as "novas informações sobre a espionagem da NSA indicam grau máximo de desrespeito à soberania do País". Segundo ela, a violação de informações de dirigentes e cidadãos de nações soberanas deve ser tema central das Nações Unidas. "É violação também de direitos humanos", postou a ministra.

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), informou que vai sugerir um protesto formal do Congresso Nacional contra a espionagem norte-americana.  "Me parece não haver dúvidas de que houve espionagem. Isso fere a nossa soberania, invade a nossa privacidade e, no caso da presidente Dilma, é de um abuso inaceitável", criticou o deputado.

Em agosto, o ex-agente da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden revelou documentos que indicariam a interceptação de informações de cidadãos brasileiros pelo governo dos EUA. No dia 13 daquele mês, a presidente recebeu no Palácio do Planalto o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, que tentou prestar esclarecimentos sobre a espionagem norte-americana. Na ocasião, o Planalto considerou insatisfatória a explicação de Kerry. / Colaboraram Sandra Manfrini e Rafael Moraes Moura

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