Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Estamos construindo um leque de alianças, diz Flávio Rocha sobre conversa com MDB

Pré-candidato à Presidência pelo PRB afirmou que no quadro de pulverização atual, as coligações serão 'preponderantes'

Daniel Weterman, Estadao Conteudo

18 de abril de 2018 | 14h58

SÃO PAULO - Pré-candidato à Presidência da República pelo PRB, o empresário Flávio Rocha admitiu que o partido conversa com o MDB para uma aliança nas eleições de outubro. Mesmo insistindo que não abriria mão de ser cabeça de chapa, Rocha afirmou que o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, conversa com o MDB para uma aliança em São Paulo e que isso pode influenciar a discussão no quadro nacional.

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"Cada Estado é uma partida de xadrez visando construir um leque de alianças, que é necessário. Em um quadro de tanta pulverização partidária, as coligações são um fator preponderante", disse o presidenciável, quando perguntado sobre a possibilidade. "Essas conversas estão analisando todos os cenários no sentido de robustecer o leque de coligações", afirmou em coletiva de imprensa, após falar para um público de investidores em conferência do banco Santander, em São Paulo.

Elogiando o trabalho do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles no governo de Michel Temer, Flávio Rocha afirmou que convidaria Meirelles como ministro da Fazenda e ainda vê com bons olhos a hipótese de o economista ser candidato a vice em sua chapa. "Seria um bom vice porque acho que representa um bom programa de governo." Para o empresário, Meirelles produziu um efeito "milagroso" na economia durante o ano de 2017.

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Nos bastidores, segundo apurou o Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, o PRB conversa com o pré-candidato ao governo paulista Paulo Skaf (MDB) e ainda estabelece uma ponte com João Doria (PSDB) para uma aliança no Estado.

Flávio Rocha, no entanto, insiste em ser candidato a presidente pelo partido e considera que a configuração nacional não precisa depender das alianças estaduais. "Não abriria mão de ser candidato, acho que a razão da existência dessa aliança é chegar à vitória e disseminar o ideário e preencher um vazio no cenário", declarou.

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Em outro momento da entrevista, no entanto, Flávio Rocha disse que "não passa pela cabeça" se aliar a qualquer um dos outros pré-candidatos já apresentados no cenário. Questionado sobre o envolvimento de políticos do MDB em casos de corrupção, Flávio Rocha afirmou que uma eventual aliança não seria contaminada por denúncias. "Uma aliança com o MDB ou qualquer outro partido não implica nenhuma forma de anistia ou conivência com qualquer culpado."

Ele alegou ter visto com "alegria" e "surpresa" o fato de ter pontuado com um 1% das intenções de voto na pesquisa do Datafolha, divulgada no último domingo, e ser o presidenciável mais "desconhecido" da população. O empresário disse esperar um crescimento nas próximas pesquisas, considerando que o eleitor identificaria que está órfão do que ele chama de "candidatura óbvia", que é um liberal na economia e conservador nos costumes.

Economia

Flávio Rocha, se declarou favorável à independência do Banco Central e afirmou que não conhece o projeto sobre autonomia do BC que está em discussão no Congresso, mas disse que um modelo que desconecte o mandato do presidente do Banco Central do presidente da República é ideal.

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"Em tese sou totalmente a favor da independência do Banco Central", disse Flávio Rocha. O presidenciável defendeu ainda as reformas tributária, trabalhista, previdenciária e de redução do tamanho do Estado para aumentar a competitividade no País. Ele disse que, "em curto prazo", essas medidas fariam o Brasil galgar posições em rankings de abertura econômica. "O desinfetante contra a corrupção é o livre mercado", declarou.

Na reforma da Previdência, Flávio Rocha defendeu uma capitalização do sistema para novos servidores que entrarem no serviço público. Ele também se declarou favorável a privatizar todas as estatais do governo. Se não houver condições políticas para isso, enfatizou, o ideal seria abrir concorrência.

"Essa história de dizer que a Caixa é estratégica, é estratégica para o Geddel Vieira Lima, ex-ministro e ex-vice presidente do banco. A Petrobras poderia ser para o Dirceu ex-ministro do governo Lula. Mas não são estratégicas para o povo brasileiro, que quer eficiência", declarou. Sobre o programa Bolsa Família, bandeira dos governos do PT, Flávio Rocha disse que não reduziria o programa deliberadamente, mas que seu eventual governo promoveria a criação de empregos que resultaria na diminuição do benefício social.

'Escravidão'

Flávio Rocha, que é dono das lojas Riachuelo, se defendeu das acusações de que sua empresa é alvo de processos judiciais por denúncias de trabalho análogo à escravidão. "Nós somos acusados por blogs sujos, nunca houve nenhuma atividade ligada a trabalho escravo, o que nos torna únicos em nosso setor", disse.

Apesar disso, ele criticou ações trabalhistas que denunciam supostos trabalhos análogos à escravidão no País. "Existe um vazio legislativo, acho que é intencional, do que é trabalho escravo. Tem empresas sendo autuadas por falta de papel higiênico e extintor descarregado. É impressionante o que se faz a título de defender o trabalhador", comentou.

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O empresário alegou ser vítima de notícias falsas e citou o pré-candidato Guilherme Boulos (PSOL), que teria acusado a empresa de Rocha por trabalho escravo. "Ele está sendo responsabilizado judicialmente por isso", disse o presidenciável do PRB.

Diferenças

Apresentando-se como o único pré-candidato "liberal na economia e conservador nos costumes", Flávio Rocha procurou se diferenciar do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), com quem teve conversas antes de se lançar na corrida presidencial. Ele classificou o parlamentar como um "fenômeno" por ser o único a tocar em temas de valores morais.

"Mas carregado demais nas cores e com radicalismo pelo qual ele tem se tornado conhecido", ponderou. Para Rocha, os outros presidenciáveis ou têm posicionamentos de direta na economia e de esquerda nos costumes ou são pré-candidatos de direita nos costumes mas sem transmitir convicções liberais na economia.

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