Estados podem dividir partidos da base, diz Lula

Presidente da República afirma ser ideal a base única, mas 'caso não seja possível, paciência'

Liege Albuquerque, de O Estado de S.Paulo

06 Maio 2010 | 18h27

TOMÉ-AÇU - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 6, que não considera prejudicial à campanha presidencial da pré-candidata Dilma Rousseff o fato de vários estados estarem dividindo os partidos da base em dois palanques. "É claro que o ideal é a base unida em torno da candidata, mas, se não for possível, como no caso do Pará, paciência. Vamos encontrar um jeito para fazer campanha. Eu acredito muito na capacidade de discernimento do partido para a escolha do palanque", defendeu Lula em coletiva depois do lançamento do Plano Nacional de Biocombustíveis, em Tomé-Açu, a 293 km de Belém, no Pará.

 

 

Durante a coletiva, o presidente irritou-se ao ser questionado sobre as investigações sobre o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Junior. "Isso é para a Polícia Federal investigar. Não cabe a mim comentar."

 

Sobre a usina hidrelétrica de Belo Monte, o presidente disse que acredita que a maioria da população do Pará quer o seu funcionamento. "A área que vai ser alagada em Belo Monte é menos da metade do que se pensava no projeto original. Não é mais como era nas hidrelétricas na década de 70, 80, quando destruíam tudo e não pensavam na população", disse.

O presidente iria a Curionópolis, localizada a 615 km de Belém, na tarde de hoje para assinar a concessão da lavra do garimpo de Serra Pelada à cooperativa formada por garimpeiros e uma empresa canadense. Na tarde de ontem, no entanto, segundo fonte do planalto, a viagem foi desmarcada depois de ser revelado que a empresa canadense não tinha assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), pelo qual reverteria o porcentual da maioria das ações aos garimpeiros.

 

 

A empresa detinha 75% das ações da cooperativa, e os garimpeiros, 25%. A exigência de Lula é para que a maior parte das ações seja dos garimpeiros. Ainda segundo fonte do planalto, o TAC teria sido assinado no início da tarde desta quinta-feira, 6, e, por isso, o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, segue amanhã para assinar a concessão da lavra à cooperativa.

 

 

Biodiesel

 

 

Em discurso de 45 minutos para uma plateia de cerca de três mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, embaixo de chuva fina e um calor de 40 graus, Lula explicou as bases do Plano Nacional de Biocombustíveis. "Seja qual for o presidente, cobrem dele (a implantação do plano)e da Petrobrás, porque eu vou estar no meu Pernambuco daqui a oito meses, mas venho aqui para cobrar ao lado de vocês, debaixo de chuva e sol".

 

 

Hoje o Pará é o maior produtor de óleo de palma do país, mas a produção representa 0,5% da produção mundial. O plano lançado pelo presidente Lula prevê uma parceria com a empresa portuguesa Galp Energia, que deve levar, a partir de 2015, 250 mil toneladas de óleo de palma para virar biodiesel e ser consumido pelo mercado europeu.

 

 

O investimento será de 1 bilhão de reais: 554 milhões do Brasil para a produção das 250 mil toneladas de óleo de palma por ano e 430 milhões de Portugal para implantar uma unidade industrial de processamento de biodiesel naquele país.

Mais conteúdo sobre:
Lula base unida PT Dilma Rousseff

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.