'Estado' recebe prêmio Vladimir Herzog por caderno sobre crimes políticos

Especial produzido pelo repórter Leonencio Nossa é vencedora da categoria jornal em premiação voltada a reportagens sobre direitos humanos

O Estado de S. Paulo

01 de outubro de 2014 | 16h54

Atualizada às 20h59

BRASÍLIA - O Estado ganhou o prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos de reportagem, na categoria jornal, com a publicação do caderno especial Sangue Político (clique aqui para ler), de autoria do repórter Leonencio Nossa, integrante da equipe de jornalistas da sucursal de Brasília.

Um dos prêmios jornalísticos mais tradicionais do Brasil, o Vladimir Herzog foi criado em 1977, dois anos após a morte do jornalista que leva seu nome, nas dependências do DOI/Codi, durante os anos de chumbo da ditadura militar. O prêmio valoriza reportagens que tratam de desrespeito aos direitos humanos.

Sangue Político é o resultado de um esforço de reportagem que levou 17 meses de apuração e pesquisa. O repórter viajou a 14 Estados para colher material que revelou a existência de crimes políticos no País em plena democracia. O levantamento de homicídios com motivação política foi feito em Tribunais de Justiça dos Estados, nos acervos de entidades de direitos humanos, nos arquivos de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), em delegacias de polícia e em cartórios públicos. 

O caderno, publicado no jornal e na plataforma online, mostrava o número de assassinatos ocorridos desde a Lei da Anistia, em agosto de 1979, até outubro de 2013 e teve ampla repercussão. Foram 1.133 assassinatos em 34 anos - um crime a cada 11 dias no País. Dois em cada três inquéritos policiais sobre esses casos não apontavam os mandantes dos homicídios.

Segundo os organizadores do prêmio, as reportagens foram consideradas pelos jurados como uma “aula de jornalismo”, pela excelência metodológica e pela execução profissional. 

Coronelismo. Após a publicação da reportagem, estudiosos da política brasileira afirmaram que ela mostrou a existência de “resquícios de coronelismo” no Brasil. A reportagem também é finalista do Prêmio Latino-americano de Periodismo de Investigação. Os vencedores serão conhecidos em evento de 10 a 13 de outubro, no México. 

É a segunda vez que o Estado ganha o prêmio Vladimir Herzog na categoria reportagem de jornal. Também de autoria de Leonencio Nossa, em parceria com o fotógrafo Celso Jr., em 2011 o jornal foi vencedor com a série Guerras Desconhecidas do Brasil. 

Leonencio Nossa é autor de livros de investigação histórica, a exemplo de Mata!, editado pela Companhia das Letras, sobre as guerrilhas do Araguaia.

O Vladimir Herzog será entregue numa cerimônia no dia 29 de outubro no teatro Tuca, em Perdizes, zona oeste de São Paulo. Os premiados em oito categorias farão uma palestra aberta ao público pela manhã para contar como apuraram e produziram suas reportagens.

Notícias relacionadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.