Werther Santana/Estadão
Luciano Huck, apresentador de TV Werther Santana/Estadão

‘Estado’ realiza nesta quarta evento para debater formas de poder

Seminário no Parque do Ibirapuera receberá João Doria, Dias Toffoli, Paulo Guedes, Luciano Huck e editor do ‘NYT’

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2019 | 03h00

Políticos, economistas, juristas e personalidades da comunicação vão discutir, hoje, as diferentes formas de poder durante o evento Estadão Summit Brasil - O que é poder? Organizado pelo Estado, o evento será realizado no Pavilhão 1 da Bienal, no Parque do Ibirapuera, zona sul de São Paulo.

O evento é inspirado na série de artigos e debates intitulada The Big Ideas, do jornal The New York Times. De maio a junho deste ano, o jornal publicou 14 textos de pensadores, ativistas, escritores e ensaístas sobre o tema “poder”. 

O governador paulista, João Doria (PSDB), vai participar do primeiro painel previsto na programação do Summit, O Poder da Gestão. “O Summit organizado pelo Estado se reveste de importância, pois traz o debate econômico e social com grandes figuras proeminentes da vida pública e da sociedade civil brasileira”, disse Doria.

Além do governador paulista, outro nome apontado como possível candidato à Presidência da República em 2022, o apresentador de TV Luciano Huck falará no painel O Poder da Comunicação. Assim como Doria, Huck será entrevistado pelos jornalistas do Estado Vera Magalhães, Alberto Bombig e Eliane Cantanhêde. 

O painel sobre O Poder da Economia terá a presença do ministro da Economia, Paulo Guedes, do ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, do presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, e da economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, dará palestra durante o almoço.

No New York Times, The Big Ideas​ é uma ramificação da série The Stone, que desde 2010 já publicou 772 artigos de pesquisadores e pensadores, levando temas relacionados à filosofia a milhões de leitores do jornal em todo o mundo.

Segundo o jornalista Peter Catapano, editor de Opinião do New York Times, que também participará do Estadão Summit Brasil - O que é poder?, o fato de a série tratar de filosofia não limita seu alcance.

“Os ensaios são feitos para atrair um público amplo, com linguagem acessível e clara relevância. Embora certamente tenhamos muitos estudantes e praticantes de filosofia entre os leitores, é muito provável que eles formem um grupo bem mais amplo”, disse Catapano.

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'Mais diálogo e mais equilíbrio é bom', diz Doria sobre Bolsonaro

Excessos verbais podem prejudicar o País, afirma governador de São Paulo sobre presidente durante entrevista no 'Estadão Summit Brasil - O que é poder?'

Adriana Ferraz e Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2019 | 09h53

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse nesta quarta-feira, 30, que falta de bom senso e equilíbrio pode prejudicar as reformas no Brasil e a atração de investimentos no País. Em entrevista no Estadão Summit Brasil -  - O que é poder?, o governador evitou críticas diretas ao presidente Jair Bolsonaro, mas reconheceu que a tensão política pode atrapalhar reformas como a tributária e a administrativa.

“(O que pode atrapalhar o Brasil tem a ver com) bom senso e equilíbrio, ou os excessos verbais, as divididas que não são bem pensadas. Não quero ser contraponto ao governo Bolsonaro”, disse Doria. Na terça, o presidente se exaltou em vídeo ao vivo em que comentava reportagem do Jornal Nacional sobre uma citação a seu nome no inquérito que investiga a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ).

Para Entender

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"Mais diálogo e mais equilíbrio é bom. É o que os brasileiros esperam. Na política internacional, temos que respeitar nossos vizinhos. Não posso desejar que o mundo pense como eu penso", afirmou o governador.

Ao falar sobre poder, Doria disse que é necessário “discernimento” e “calma”. “O poder é um exercício complexo. Exige discernimento, calma, compreensão da sociedade civil, a liberdade de imprensa. Do autoritarismo, queremos distância. A exacerbação, a exaltação do poder dos extremos são nocivos. É preciso compreender o equilíbrio, o diálogo, como parte de um Estado, de um País.”

Elogios a Paulo Guedes

Doria elogiou o ministro da Economia, Paulo Guedes, que também participa do evento. “Quem é eleito tem que liderar, um País, um Estado, um município. Tem que ter capacidade de dialogar. Reconheço no Paulo Guedes valores importantes. Não tenho visão mesquinha. Quero que o Brasil vá muito bem. Desejo e por isso fui o primeiro governador a manifestar publicamente a reforma da Previdência.”

O governador defendeu um Estado “liberal democrático”. “A melhor economia do Brasil é uma economia liberal, que valoriza o capital privado, que compreende que um Estado menor é mais eficiente. Estado não pode ser onipresente. O investidor é o grande empregador do Brasil. É o setor privado que gera emprego no País. Essa é uma visão do atual ministro Paulo Guedes, que é liberal e tem um desafio enorme dentro do governo de fazer sua boa prática.”

O Estadão Summit Brasil é inspirado na série de artigos e debates intitulada The Big Ideas, do jornal The New York Times. De maio a junho deste ano, o jornal publicou 14 textos de pensadores, ativistas, escritores e ensaístas sobre o tema “poder”.

Também falam nesta quarta no evento o apresentador Luciano Huck, que será sabatinado por jornalistas do Estado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, a ministra do STF Cármen Lúcia e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

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    Doria diz que portas do PSDB estão abertas para general Santos Cruz

    Em evento 'Estadão Summit Brasil - O que é poder?', governador de São Paulo afirma que 'novo PSDB' mantém posição crítica em relação ao governo federal e não tem problema em criticar o que Jair Bolsonaro fizer de errado

    Carla Bridi, Francisco Carlos Assis e Iander Porcella, O Estado de S.Paulo

    30 de outubro de 2019 | 10h37

    O governador de São Paulo, João Doria, deixou as portas do PSDB abertas para o general Santos Cruz, ex-ministro do governo do presidente Jair Bolsonaro. Questionado sobre se o general seria um bom nome para integrar o quadro do partido, Doria disse que tem “uma ótima relação” com o ex-ministro. “Respeito muito o general Santos Cruz e seria sim um grande nome”.

    Ao ser perguntado se um convite já teria sido feito ao ex-ministro, Doria negou. “Mas fica aqui desde já publicamente, se ele desejar, será bem vindo”, ressaltou. “É um grande nome, um general preparado com uma boa formação. Convivi com ele no curto período em que esteve a frente de seu ministério no governo Bolsonaro. As portas do PSDB estarão abertas a ele”.

    Santos Cruz não seria o primeiro integrante do governo Bolsonaro a se alinhar aos tucanos. O ex-presidente do PSL, Gustavo Bebianno, expulso no início do ano após pressão da ala bolsonarista do partido, integrou o PSDB recentemente.

    “Isso não quer sinalizar nada. Não significa nenhum alinhamento contraditório (ao governo). Bebianno será filiado ao PSDB do Rio, já que ele é um ótimo advogado e tem experiência na política”.

    'Novo PSDB'

    Doria disse ainda que o “novo PSDB” mantém posição crítica em relação ao governo federal e não tem problema em criticar o que Jair Bolsonaro fizer de errado.

    Apesar de ter criticado “excessos verbais” por parte do governo, sem citar diretamente Bolsonaro, Doria disse que não quer “estabelecer o contraponto em relação ao governo Bolsonaro”. “Precisamos de menos excessos, mais diálogos”, disse o governador tucano durante o evento Estadão Summit Brasil  - O que é poder?, em São Paulo.

    Doria criticou a polarização política no Brasil e disse que um líder deve ter discernimento, equilíbrio e respeitar as liberdades. “Não há democracia sem contraditório. Do autoritarismo nós queremos distância”, disse ele, acrescentando que os extremos são nocivos ao País.

    O governador afirmou também que o “novo PSBD”, liderado pelo presidente do partido Bruno Araújo, é um partido focado no liberalismo democrático, de centro, e que respeita o diálogo com a esquerda e com a direita. “PSDB de hoje toma decisões, toma partido. Mas nossa posição não é o antagonismo pelo antagonismo”.

    Contra reeleição

    João Doria disse que é contra a reeleição, que não tentará um segundo mandato à frente do governo do Estado de São Paulo e que defende uma reforma política no Brasil.

    "Vamos fazer a reforma política. Sou a favor de uma reforma política que permita apenas uma eleição com mandatos de 5 anos. Defendo também que essa reforma política coloque o voto distrital misto, em uma proporcionalidade correta", disse o governador tucano no evento.

    Ao ser questionado se será candidato a presidente nas eleições de 2022, Doria respondeu que "o Brasil não pode discutir eleições presidenciais 3 anos antes". "Não é hora desse debate, é hora de gestão", disse Doria.

    Sobre as críticas do presidente Jair Bolsonaro à eleição do peronista Alberto Fernández para a presidência da Argentina no domingo, Doria defendeu o diálogo, o entendimento comercial e a "capacidade de exercer a diplomacia". "Temos que respeitar. Não podemos virar as costas para a Argentina, nem estigmatizar a Argentina. Não se questiona a eleição", afirmou o governador.

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      João Carlos Martins testa luva especial e tem ajuda de robô para tocar piano

      Maestro participou do evento Summit Brasil - O que é poder?, parceria do 'Estado' com 'The New York Times'

      Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

      30 de outubro de 2019 | 10h39

      "O contrário da vida não é a morte, é a repetição". Após anunciar aposentadoria no início do ano, o maestro João Carlos Martins demonstra que a carreira não termina assim. Nesta quarta-feira, 30, ele participou do evento Estadão Summit Brasil - O que é poder?  e falou sobre superação.

      Um acidente que provocou a atrofia em três dedos das mãos e uma pancada durante um assalto não comprometeram o desejo do músico em continuar seu ofício. "Minha história com a música começou quando meu pai nasceu e tinha um sonho: tocar piano." Ao completar 10 anos, seu pai teve o objetivo interrompido, conta. "Ele também sofreu um acidente. Teve uma das mãos decepada."

      Acompanhado de violinos, o músico tocou um trecho de Bach, emocionado, e contou uma novidade. "Eu já tenho a ajuda de um robô para virar as páginas da partitura. Agora estou experimentando algo novo."

      Com o auxilio de um protótipo de uma luva, o maestro apresentou um trecho da trilha sonora do filme A Lista de Schindler, de Steven Spielberg. "Estamos sempre melhorando e espero poder tocar em um ano", contou ao Estado. "A luva mantém minha mão firme e consigo executar as notas."

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      'Jornalismo contribui para o País e a democracia quando eleva a qualidade do debate público'

      Na abertura do Summit Brasil - O que é poder?, o diretor-presidente do Grupo Estado, Francisco Mesquita Neto, diz que nunca o poder foi tão repartido como na era digital

      Adriana Ferraz e Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

      30 de outubro de 2019 | 10h41

      Estado promove nesta quarta-feira, 30, em São Paulo, o Summit Brasil - O que é poder?, para debater no atual contexto político o que é o poder. Na abertura, o diretor-presidente do Grupo Estado, Francisco Mesquita Neto, destacou que o objetivo do evento é reunir pensadores que possam discutir a nova relação do poder, em suas várias formas, e a sociedade, principalmente após a disseminação das novas tecnologias de comunicação e de interação.

      "Hoje, o jornal O Estado de S.Paulo é uma plataforma de notícias e de debate comprometida com a busca de um futuro melhor para o Brasil. Somos assim desde nossa fundação, em 1875, quando o Estadão, então A Província de São Paulo, opôs-se ao Império e à escravidão", disse.

      Mesquita Neto destacou que os valores do Grupo Estado são liberdade, democracia, independência e credibilidade. "Nossa credibilidade nos permite agir com independência no intuito de promover a democracia e sempre com o olhar para o futuro. Tal olhar é um olhar otimista se entendermos que otimismo não é apenas esperar o melhor, mas contribuir efetivamente para o que melhor aconteça. Acreditamos que o jornalismo contribui para a melhoria do País e para a democracia quando eleva a qualidade do debate público."

      Para o diretor-presidente do Grupo Estado, nunca o poder foi tão repartido como na era digital e nunca foi possível levar o debate público para tanta gente como hoje.

      "O Estadão atinge mais de 27 milhões de pessoas mensalmente com suas plataformas. A essência da nossa atividade hoje, como no passado, é produzir jornalismo de excelência. A tecnologia digital nos permite entregar esse jornalismo dentro da jornada do leitor, em diálogo permanente com ele nas mais diversas plataformas: impresso, vídeos, podcasts, textos, eventos, como esses, lives, redes sociais", ressaltou.

      Seja qual for a forma da notícia, Mesquita Neto reforçou que o "jornalismo contribui para o debate público quando estabelece os fatos incontestáveis sobre os quais se assenta a conversa inteligente, quando se posiciona em relação a eles, quando identifica as vozes que buscam o debate de alto nível e coloca essas vozes em contato".

      Mesquita Neto destacou que essas vozes não são apenas dos políticos eleitos, mas de toda a sociedade, que precisa debater o poder como em eventos como o Estadão Summit Brasil por uma República cada vez mais democrática.

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        ‘O establishment quer se proteger das mudanças’, afirma Huck

        No Estadão Summit Brasil - O que é poder?, o apresentador diz ainda não 'enxergar nas ruas as temperaturas nas redes sociais'

        Adriana Ferraz, Matheus Lara, Francisco Carlos Assis e Iander Porcella, O Estado de S.Paulo

        30 de outubro de 2019 | 10h50

        Cotado para disputar a Presidência da República em 2022, o apresentador Luciano Huck (sem partido) exaltou nesta quarta-feira, 30, o poder das redes sociais na sociedade e como isso pode ajudar a transformar o País e democratizar debates. Ele foi sabatinado no painel O Poder da Comunicação.

        “Antes tínhamos três plataformasas de se comunicar na mídia: televisão, rádio e cinema. Isso se transformou muito", explicou, antes de citar a internet - que seria um quarto "poder" - e então, falar das redes sociais. "Temos hoje o poder das redes sociais, um quinto poder, que eu uso há muito tempo”, disse no Estadão Summit Brasil - O que é poder?, realizado em São Paulo. 

        “Está sendo um aprendizado. As redes deram voz a muita gente. Democratizou o debate de uma forma como nunca tinha sido. Temos que entender como colocar peneiras para ouvir a opinião das pessoas e entender o que acontece e não ser influenciado pelo lado negro da força. Não enxergo nas ruas as temperaturas nas redes”, afirmou ainda o apresentador.

        Huck defendeu os grupos cívicos ou de renovação da política nacional, como o RenovaBR, do qual faz parte, e afirmou que vê resistência no “establishment” às mudanças que esses movimentos podem trazer. Também falou que projetos da sociedade civil, por entidades como o Todos Pela Educação, já estão “organizados” e que precisam ser colocados em prática.

        “Acho que o establishment quer se proteger das mudanças. O fortalecimento dos movimentos cívicos é necessário”, disse o apresentador. “A reforma política tem que voltar ao debate, ser discutida, sem preconceito. Avançamos em várias frentes, mas eu traria a reforma política para debater. Não sei qual o modelo ideal, mas quero debater. Temos que ganhar eficiência na gestão. A sociedade civil já gastou tanto dinheiro, tem tanta coisa organizada, é só colocar em prática. Independente de ser de esquerda, direita.”

        'Não estou aqui num projeto de poder'

        Huck falou sobre desigualdade social e destacou os problema enfrentados em favelas. “Não estou aqui num projeto de poder. Estou há 20 anos rodando o País sem intenção a não ser produzir conteúdo. Dizem que eu impactei pessoas, mas eu fui a pessoa mais impactada pelo conteúdo que produzi. Eu não consigo passar por um problema e não me sentir abatido. Vivemos num País desigual. Se não fizermos nada, vamos envelhecer e as desigualdades continuarão enormes.”

        O apresentador afirmou que quer ajudar a qualificar o debate político no País e negou que investigações e acusações sobre sua vida pessoal possam incomodá-lo. Questionado sobre críticas a respeito do uso dos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a compra de um jato particular, Huck negou irregularidades.

        “Se pensar assim (em críticas e acusações), melhor ficar em casa. Domino meu espaço, sou bem remunerado. Eu não pedi para estar aqui hoje. Não imaginava estar aqui debatendo isso. Só que a conjuntura geopolítica do mundo me colocou nessa situação. Ou eu fingia que não era comigo, ou tentava de alguma forma contribuir. Não tenho nada a esconder. O avião não tem nada de errado, está pago. Faz parte da questão de sair da zona de conforto. Se a gente não iluminar a parte boa da sociedade, estaremos na pobreza para sempre. Estou aqui tentando contribuir para o debate.”

        Ele criticou a polarização no País e defendeu o diálogo. “A sociedade está viciada em rotular as pessoas e colocar nos grupinhos. Se você não tiver contas organizadas, você não consegue fazer as coisas. Temos que ganhar eficiência na gestão. A sociedade civil já gastou tanto dinheiro, tem tanta coisa organizada, é só colocar em prática. Independente de ser de esquerda, direita. Consigo ver muita coisa à esquerda como necessária. Mas só consegue cuidar das pessoas quem cuida das contas”, disse Huck.

        "A gente tem que ganhar eficiência na gestão, e a tecnologia vem para ajudar muito. O Estado tem um papel importante, mas não acho que tem que ser Estado empresário", afirmou o apresentador. "O marxismo não deu certo e liberalismo puro, também não."

        Antes de Huck, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), falou no evento e defendeu “mais equilíbrio” no País. O Estadão Summit Brasil é inspirado na série de artigos e debates intitulada The Big Ideas, do jornal The New York Times. De maio a junho deste ano, o jornal publicou 14 textos de pensadores, ativistas, escritores e ensaístas sobre o tema “poder”.

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          'A democracia é como o amor, tem que lutar todo dia', diz Cármen Lúcia

          Durante evento 'Estadão Summit Brasil - O que é poder?', ministra do STF se recusa a antecipar o voto, mas lembra que, em 2009, a jurisprudência que exige o esgotamento dos recursos foi vencida

          Paulo Beraldo e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

          30 de outubro de 2019 | 12h01

          Questionada nesta quarta-feira, 30, sobre o julgamento da possibilidade de prisão após segunda instância, em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Cármen Lúcia se recusou a antecipar o voto, mas lembrou que, em 2009, a jurisprudência que exige o esgotamento dos recursos foi vencida. "Esse assunto (segunda instância) não voltou quando eu estava na presidência do STF", afirmou Cármen no Estadão Summit Brasil - O que é poder?, realizado em São Paulo.

          Na semana passada, a ministra Rosa Weber votou contra a possibilidade de prisão em segunda instância, abrindo caminho para o fim dessa jurisprudência, válida na Corte há 10 anos e um dos pilares da Operação Lava Jato. Até o momento, a votação está em 4 a 3, e deve ser concluída na próxima semana.

          Em palestra no evento, Cármen Lúcia defendeu ainda o fortalecimento das instituições e da impessoalidade em um cenário em que parte dos cidadãos tem demonstrado descrença na Justiça. A ministra destacou que a democracia é uma construção diária que se deve ser feita por todos os brasileiros, não apenas por quem ocupa o Poder em seus diferentes níveis. "A democracia e a ética vivem de valores. A corrupção se junta por interesses", afirmou.

          "A democracia é como o amor, tem que lutar todo dia. O dia que eu não molho a minha planta, vem a erva daninha. É uma luta da sociedade. Não temos que ficar esperando que o outro seja honesto, o mau exemplo é apenas um mau exemplo. Temos que dar bons exemplos", afirmou ela, elogiando a fala anterior do apresentador de TV Luciano Huck, a quem qualificou como "querido amigo".

          Diversidade

          A palestra da ministra foi seguida pela do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), para quem o Brasil vive um momento em que uma parte do poder quer "exterminar" aqueles que pensam diferente. Leite defendeu a necessidade de se ouvir o diferente para a construção de um debate público de qualidade.  

          "Vivemos um momento em que na política se deseja exterminar quem pensa de forma diferente, é um debate muito mais focado em desqualificar quem pensa diferente", afirmou ele, dizendo que o desafio do exercício do poder público é conjugar os interesses da minoria e da maioria. "Não é simplesmente democracia a ditadura da maioria. É a possibilidade de a minoria expressar suas vontades."

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          'Concessão política não é dinheiro, cargo ou espaço político. Significa entender as vontades de quem pensa diferente e tentar conciliar com a agenda que eu entendo preponderante, prioritária para a sociedade para qual eu governo. O poder é uma ferramenta em uma democracia em que nós estabelecemos a negociação legítima entre diversas partes com vontades divergentes'. 
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          Eduardo Leite, Governador do Rio Grande do Sul

          Outra palestrante, Raquel Dodge, ex-procuradora-geral da República, exaltou a defesa dos direitos humanos e dos preceitos da Constituição de 1988, modelos de um projeto de país "que adotamos" e que "é muito importante de ser honrado". Disse que o sistema de Justiça hoje persegue a corrupção e que todos os atores do sistema judiciário devem trabalhar para elevar a confiança da população nas instituições.

          "Sem confiança, estaremos sempre trabalhando de forma pontual e episódica, e certamente não construiremos um país que queremos, democrático, em que os direitos valham para todos, um país em que ninguém esteja nem acima e nem abaixo da lei", disse.

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            'Cidades têm o poder de criar oportunidades', diz professor da USP

            Participantes de painel no evento 'Estadão Summit Brasil - O que é Poder?' apontam que a busca por soluções para os conflitos urbanos pode reduzir desequilíbrios socioeconômicos

            Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

            30 de outubro de 2019 | 13h30

            SÃO PAULO - As cidades são cenários de desencontros e que geram deseconomias, mas a busca por soluções para os conflitos urbanos pode gerar renda e reduzir desequilíbrios econômicos e sociais. E as inovações tecnológicas mais recentes se colocam como meio de aceleração nessa criação de riqueza. Essa foi a linha que conduziu o debate O Poder de Transformação das Cidades, realizado no evento Estadão Summit Brasil - O que é Poder?, que ocorre nesta quarta-feira, 30, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera.

            No palco, o professor titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) Miguel Bucalem apontou a cidade como o palco onde os desequilíbrios econômicos se manifestam: "Assistência social precária, dificuldades de infraestrutura". Mas ações adotadas pelas autoridades podem valorizar os ativos públicos, gerando mais receita para as cidades melhorarem as infraestruturas urbanas.

            "As operações urbanas, as PPPs (parcerias público-privadas), são exemplo", disse.

            Bucalem defende que, em um curto prazo, sociedade civil e poder público tracem ações voltadas não só para melhorar a infraestrutura e o uso do solo, mas também "o desenvolvimento social e o meio ambiente".

            "As cidades têm poder de criar oportunidades", afirmou o professor da USP.

            O debate contou também com o Philip Yang, do Instituto Urbem, organização voltada à discussão de questões urbanas. Para ele, as cidades são os polos do poder do século 21.

            "São os palcos do poder político, das manifestações que atingem nosso futuro", declarou.

            Ele disse, ainda na linha de Bucalem, que os diversos conflitos de poder que estão nas cidades acabam por limitar o potencial de desenvolvimento delas. Nessa linha, defendeu que o Brasil tivesse ainda mais municípios constituídos, exemplificando que, nos Estados Unidos, são cerca de 90 mil cidades e, na França, país muito menor, cerca de 30 mil.

            "Mas não têm tantos vereadores", ponderou Yang.

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            (As cidades) São os palcos do poder político, das manifestações que atingem nosso futuro
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            Philip Yang, do Instituto Urbem

            O evento também teve a participação de Paulo Dallari, líder de relações institucionais da empresa brasileira de mobilidade 99.

            Dallari destacou que as facilidades trazidas pelas companhias desse ramo têm facilitado o acesso das pessoas mais afastadas à cidade e citou uma vantagem disso: no carro, a pessoa está na sua bolha. Se usa o transporte público, caminha ou usa aplicativo, por exemplo, vive mais a cidade.

            "Para o bem ou para o mal", disse o represante da 99, apontando que, quando está sabendo dos problemas urbanos, como calçadas ruins e transporte público problemático, a sociedade demanda melhorias para o poder público. 

            O debate foi mediado pela jornalista Mariana Barros. 

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            Poder é construção constante de relações, diz editor do The New York Times

            Peter Catapano participou nesta quarta do 'Estadão Summit Brasil -  O que é poder?'

            Alessandra Monnerat, O Estado de S.Paulo

            30 de outubro de 2019 | 14h40

            O que é poder? Um dos editores de opinião do jornal The New York Times, o jornalista Peter Catapano tentou responder a essa pergunta nesta quarta-feira, 30, em painel no Estadão Summit Brasil -  O que é poder?“Poder não é violência, não é uma coisa só”, afirmou. “É a constante construção de relações, da qual todos fazemos parte. Quanto melhor entendermos isso, melhor entendermos quem somos. E o que podemos fazer em seguida.”

            Catapano criou em 2010 a série The Stone, um espaço para divulgar artigos de pensadores sobre tópicos atuais e grandes questões da sociedade. De maio a junho deste ano, o The New York Times publicou 14 textos de filósofos, ativistas, escritores e ensaístas buscaram responder a essa mesma pergunta: o que é poder?

            “Surpreendentemente, poucas das respostas que recebemos eram abertamente políticas”, lembrou. “A maioria eram narrativas empolgantes e filosóficas sobre o poder da liberdade individual e de expressão, o feminismo e o patriarcado, as forças da natureza. Houve até uma rejeição bem-humorada sobre a necessidade de poder tradicional”.

            Essa diversidade de opiniões foi celebrada por Catapano. Segundo ele, uma das mais frequentes simplificações sobre o conceito de poder é reduzi-lo à força física, violência ou guerra. Outra concepção reducionista é pensar apenas no poder econômico, na riqueza de um indivíduo.

            O jornalista cita o filósofo francês Michel Foucault como o pensador que mais perto chegou de entender a miríade de formas com que o poder se manifesta. “O poder está em todo lugar, é uma força que permeia toda a experiência humana”, parafraseou Catapano. “Há poder nas relações do cotidiano, de comércio, de amor e sexo, de crime e punição, de normas sociais, e, mais importante, no próprio conhecimento”.

            'Jornalistas são alvo pois informação é fonte de poder'

            Catapano também ressaltou que os jornalistas têm sido com cada vez mais frequência alvo de ataques, assédio e intimidação. “Eles são alvo por razões óbvias”, disse o americano. “Eles divulgam informação e informação é uma fonte de poder. Silenciar e eliminar fontes de informação é uma forma de proteger quem está no poder”.

            Ele destacou ainda o papel do jornalismo em questionar sobre os grandes temas da sociedade. Nesse sentido, Catapano refletiu que jornalistas estão bem próximos dos filósofos. Ambos analisam fatos e tiram conclusões sobre a verdade de uma situação. “A diferença é que o jornalismo tem a urgência que a filosofia não tem”, disse ele. “E a filosofia se baseia na contemplação para a qual muitos jornalistas não têm tempo”.

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              Paula Reverbel, Paulo Beraldo, Paulo Roberto Netto e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

              30 de outubro de 2019 | 16h04

              O poder, as diferentes formas como ele se manifesta e o impacto que ele gera no cotidiano foram alguns dos temas debatidos por políticos, juristas, economistas e personalidades da comunicação no evento Estadão Summit Brasil – O que é poder?, organizado pelo Estado e realizado ontem no Pavilhão 1 da Bienal, no Parque do Ibirapuera, zona sul de São Paulo. 

              Ao longo do dia, os debatedores se dividiram em painéis que abordaram desde o poder mais clássico, exercido pelos políticos e os atores econômicos, até o poder que vem das redes sociais, da informação e da transformação das cidades.

              Uma das autoridades presentes ao evento, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, fez uma defesa enfática do poder Judiciário e disse que as corporações e a burocracia ocuparam o espaço da elite nacional e dos partidos políticos na formulação de um projeto de nação. 

              “Não temos uma elite nacional, então a burocracia ocupou esse espaço. Infelizmente os partidos políticos não fazem projetos de nação, nem as universidades. A sociedade civil faz projetos setoriais, como na área da infância ou da saúde. Quem ocupa esse vazio são as corporações. O sistema financeiro tem o mesmo interesse do Oiapoque ao Chuí”, disse Toffoli, que discursou durante almoço com participantes do encontro. 

              O presidente do Supremo entrou no tema ao comentar o fato de as corporações terem ficado em segundo lugar na enquete que ele fez com a plateia sobre quem exerce o poder no Brasil. O Congresso ficou em primeiro lugar e corporações em segundo. Ministério Público e as redes sociais ficaram em terceiro. Só depois, na escolha da plateia, apareceu o Poder Executivo.

              Sem citar o PSL ou o PT – que possuem as maiores bancadas na Câmara –, ele usou como exemplo o fato de o maior partido político ter 10% do Congresso, enquanto a Frente Evangélica tem cerca de 250 integrantes. 

              Para Toffoli, o Judiciário deve ser a última razão a ser chamada. “Se quiserem se resolver politicamente, que se entendam. O Judiciário tem que cuidar do passado. Não fomos eleitos. Temos que dar estabilidade e segurança jurídica”.

              Em outro trecho do discurso, o presidente do STF defendeu a atuação da Corte, que vem sendo alvo do ataque nas redes sociais. “Se não gostou da decisão crítica, isso faz parte do estado democrático de direito, é preciso pensar: será que o Supremo é o problema? Ou é a cultura do litígio?”, questionou. 

              Para Toffoli, o Judiciário deve ser a última instância a ser chamada. “Se quiserem se resolver politicamente, que se entendam. O Judiciário tem que cuidar do passado. Não fomos eleitos. Temos que dar estabilidade e segurança jurídica”, afirmou. 

              O ministro também apontou dados sobre a atuação da Corte, afirmando que o Judiciário brasileiro é o mais demandado do mundo. O presidente do STF também fez uma defesa da atuação independente do Ministério Público. “A Constituição não pode ser uma folha de papel, ela tem que ter uma efetividade. Nós temos que trazer instrumentos jurídicos para que ela se torne uma realidade? Quais são os instrumentos? Em primeiro lugar, um Ministério Público absolutamente autônomo e independente, sem influência do Poder Executivo.” 

              Segunda instância

              Também ministra do Supremo, Cármen Lúcia foi questionada sobre qual deve ser seu voto no julgamento da prisão em segunda instância, marcado para retornar no próximo dia 7 – o placar está em 4 votos a favor da execução provisória da pena e 3 contra. Cármen se recusou a antecipar a informação, mas lembrou que, em 2009, a jurisprudência que exige o esgotamento dos recursos foi vencida. 

              Cármen fez um histórico das mudanças das regras de cumprimento da pena no Brasil e lembrou que até em 1973 bastava uma condenação em primeira instância. Naquele ano, a Justiça passou a exigir a condenação em segunda instância, o que beneficiou o delegado Sérgio Paranhos Fleury, que escapou da prisão. A ministra chamou a atenção para mudanças casuísticas, embora não tenha citado diretamente nenhum caso. Uma nova mudança no entendimento pode beneficiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba. “Esse assunto (segunda instância) não voltou quando eu estava na presidência do STF.” 

              Toffoli evitou falar do assunto. Do lado de fora do Pavilhão da Bienal, um grupo pequeno de manifestantes protestou contra eventual mudança no entendimento atual do Supremo. 

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              Bolsonaro e Trump têm semelhanças na presença nas redes sociais, diz ex-correspondente do NYT

              Jornalista participou do evento 'Estadão Summit Brasil - O que é poder?' em São Paulo

              Alessandra Monnerat e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

              30 de outubro de 2019 | 17h17

              Ex-correspondente do The New York Times no Brasil, o jornalista e escritor Larry Rohter apontou semelhanças entre o comportamento dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Jair Bolsonaro, nas redes sociais. De acordo com Rohter, o vídeo publicado por Bolsonaro em que ele aparece como um leão cercado por hienas é parecido com uma montagem exibida por apoiadores de Trump em evento de campanha de sua reeleição, no qual o presidente americano pratica atos de violência contra seus adversários.

              “As semelhanças do Brasil com Estados Unidos são muitas e alarmantes”, disse ele durante o evento Estadão Summit Brasil - O que é poder? nesta quarta-feira, 30. “A linguagem dos dois vídeos é igual”. Rohter classificou o comportamento midiático de Trump e Bolsonaro como crises institucionais. Ele disse que o Brasil pode estar mais preparado do que os Estados Unidos para enfrentar essa situação. “Eu vejo paralelos, mas sou mais otimista no caso do Brasil”, afirmou. “Nós estamos enfrentando uma crise desse tamanho pela primeira vez e não temos as ferramentas para enfrentar isso, temos uma Constituição do século XVIII. Vocês (brasileiros) já passaram por isso e aprenderam a driblar as crises”.

              Após a palestra, em entrevista ao Estado, Rohter voltou a traçar paralelos entre Trump e Bolsonaro no trato com a imprensa. O jornalista comparou a medida provisória baixada pelo governo Bolsonaro que desobriga a publicação de balancetes em jornais e as ameaças do brasileiro de cortar verbas publicitárias de veículos de imprensa ao anúncio feito por Trump na semana passada de que o governo americano não iria renovar as assinaturas dos jornais The New York Times e The Washington Post, ambos críticos à sua administração. “São tentativas de estrangular a imprensa livre”, afirmou.

              Ameaçado de ser expulso do Brasil pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva depois de publicar uma reportagem em 2003 sobre os hábitos etílicos do petista, Rohter também comparou Lula a Bolsonaro. “Bolsonaro é o reflexo invertido de Lula. Ambos têm instintos autoritários e populistas. No meu caso, as instituições funcionaram. A imprensa brasileira, mesmo discordando da matéria, fez a defesa da liberdade de expressão. O Judiciário deu uma liminar proibindo a minha expulsão”, lembrou. 

              O pesquisador da Universidade de Oxford Caio Machado afirmou que, diante da forma com que Trump, Bolsonaro e outros líderes usam as redes sociais, é necessário repensar o papel dessas figuras públicas nas plataformas. “Nos Estados Unidos, Trump bloqueou um jornalista e a Suprema Corte decidiu contra essa atitude. Se o Twitter serve de Diário Oficial, como podemos lidar com isso?”, questionou.

              Machado participou de um levantamento organizado pela Universidade de Oxford que registrou campanhas de desinformação em 70 países. Esse número representa um aumento de 150% em relação ao mesmo mapeamento feito em 2016. “Há uma especialização por parte dos agentes políticos que sacaram que, ao influenciar a tecnologia, é possível influenciar a sociedade”, ressaltou ele. “Em certos países vemos os desenvolvimento de um aparato dedicado à internet”.

              Ele destacou duas estratégias empregadas por essas campanhas de desinformação: a criação de cortinas de fumaça para distrair o debate público e o ataque às instituições e à imprensa livre. “Vejo um desmantelamento das instituições que foram construídas nos últimos 30 anos”, disse. “Na Europa e nos Estados Unidos há apego às instituições. Aqui, temos um apego à personalidade. Tenho medo de que voltemos a personalizar o poder, ao invés de institucionalizar o poder”.

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              Jornalismo fiscaliza os donos do poder, diz jornalista do ‘NYT’ em evento do ‘Estadão’

              Michael Greenspon participou de debate sobre a relevância da imprensa durante o Summit Brasil – O Que é Poder

              Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

              30 de outubro de 2019 | 17h50

              Os políticos que atacam a imprensa não estão preocupados com o acesso da população à verdade, mas sim em prejudicar a legitimidade da mídia profissional, disse o jornalista Michael Greenspon, líder de licenciamento e inovação de mídia impressa do The New York Times, durante o evento Summit Brasil – O Que é Poder, promovido pelo Estadão, nesta quarta-feira, 30, em São Paulo.

              Greenspon participou de um debate com o diretor de jornalismo do Estadão, João Caminoto, e com William Waack, colunista do jornal. “Em meu país, (o presidente Donald Trump) se refere ao jornalismo como os ‘inimigos do povo’. São palavras que costumavam ser ditas por ditadores.”

              O jornalista do NYT lembrou que a mídia tradicional tem a seu favor o comprometimento com o rigor e o tratamento justo dos fatos. Ele defendeu a crença de que a imprensa de qualidade melhora a vida das pessoas e torna a sociedade mais justa. “O jornalismo anda de mãos dadas com a democracia porque fiscaliza os donos do poder.”

              No entanto, com a mudança na distribuição das informações e a ascendência de plataformas digitais – como o Facebook e o WhatsApp –, a exposição da população a notícias falsas está cada vez maior. Uma pesquisa mostrou que 44% dos brasileiros receberam informações sobre política nas eleições do ano passado principalmente por WhatsApp.

              Sem curadoria, esse material pode ser tóxico. Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pela Universidade de São Paulo (USP) mostrou que 56% das 15 imagens mais compartilhadas no Brasil durante as eleições de 2018 eram falsas. “E só quatro (dessas imagens) eram com certeza verdadeiras. As outras caíam em uma zona cinza.”

              De certa forma, disse Greenspon, a mídia tradicional vem perdendo essa guerra. Um exemplo disso, segundo ele, é o fato de que 82% dos republicanos dizem hoje confiar mais em Donald Trump do que na mídia independente. Para o jornalista, é um sinal de que as palavras, verdadeiras ou não, têm sua importância.

              Parcerias

              O jornalista do NYT afirmou que grandes empresas de tecnologia, como Facebook e Google, têm uma parcela de responsabilidade na defesa da imprensa livre, uma vez que são grandes distribuidoras de informações. “Essas plataformas se tornaram as maiores distribuidora de notícias e informação da história da humanidade”, lembrou. “Eu não acho que (a relação do público com a imprensa) é irreversível, mas também não acho que a mídia pode fazer isso sozinha”, afirmou.  “Há alguns sinais (positivos) nesse sentido, como o Facebook Tab, que está sendo lançado com parceiros de mídia.”

              Esse tipo de parceria é relevante pela escala das redes sociais. Greenspon lembra que, embora o NYT tenha uma grande audiência, de cerca de 150 milhões de pessoas ao mês, ela é pequena em relação ao Facebook, que atinge esse mesmo contingente em questão de horas. 

              Virando a página

              Para Caminoto, do Estadão, existe uma tendência de fadiga da população em relação às notícias falsas – o que pode facilitar o retorno das pessoas à mídia tradicional. O jornalista lembrou que, em momentos de notícias muito de forte impacto, a audiência de jornais como o Estadão tende a subir muito. “Isso acontece porque a busca pelas fontes tradicionais aumenta.”

              Ele ponderou, no entanto, que as empresas jornalísticas precisam se adaptar aos anseios de sua audiência. “Historicamente sempre houve uma postura arrogante em decidir o que deveria ser publicado. O mundo mudou: a informação é mais diversificada e rica. E a mídia, em geral, demorou para perceber isso.” 

              Caminoto lembrou ainda que o número de leitores do Estadão nunca foi tão alto. Atualmente, as plataformas digitais do grupo atingem hoje 27 milhões de usuários por mês. “No auge da versão impressa, nossa audiência era de 2,5 milhões de pessoas, no máximo. “Eu tenho dúvida se a gente perdeu (leitores). O nosso desafio agora é fornecer jornalismo de forma cativante, que seja relevante para a rotina das pessoas.” /COLABOROU TULIO KRUSE

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              ‘Precisamos trazer ética para os algoritmos’, diz diretora-geral do Twitter Brasil

              Segundo Fiamma Zarife, solução para produtos enviesados engloba ampliar a diversidade nas empresas e ouvir a sociedade civil

              Paulo Roberto Netto, O Estado de S.Paulo

              30 de outubro de 2019 | 18h39

              A diretora-geral do Twitter Brasil, Fiamma Zarife, afirmou nesta quarta-feira, 30, que é preciso trazer ética para o desenvolvimento de algoritmos que alimentam as redes sociais. Segundo a empresária, a solução passaria por diversificar o número de pessoas que atuam na criação dos sistemas e trazer a sociedade civil para o processo.

              A fala da diretora-geral vem em um momento em que se discute a criação de produtos automatizados que seguem padrões sexistas.

              Exemplos disso são as assistentes sociais Siri (Apple), Alexa (Amazon) e Cortana (Microsoft), todas idealizadas com vozes femininas e projetadas para serem servis, como aponta relatório divulgado em maio pela divisão cultura e científica da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

              “Os algoritmos são programados por humanos e nós humanos somos falíveis, somos tendenciosos e cheios de bias”, afirmou Zarife. “Precisamos ter muito cuidado de trazer ética para os algoritmos. A gente tem que trazer a sociedade civil, sociólogos, engenheiros e historiadores para não termos algoritmos enviesados”.

              Fiamma Zarife foi entrevistada pela editora de inovação do Estado e de Capitu, Carla Miranda, na mesa O Poder da Diversidade do Estadão Summit Brasil – O que é poder?, realizado em São Paulo.

              Segundo a empresária, a solução passa por não apenas trazer mais mulheres para as faculdades de engenharia e exatas, como mantê-las até o fim e recebê-las nas empresas em iguais condições de trabalho. Os entraves, segundo ela, leva à alta desistência de mulheres no ramo da tecnologia. 

              “As mulheres abandonam (a carreira) por inúmeros motivos. Elas saem porque acham que vão ganhar menos, porque vão ser assediadas, porque são tidas como ‘geek’ ou ‘nerd’. Se a gente não mudar essa cultura, a gente não vai mudar esse quadro”, afirma.

              À frente das operações do Twitter Brasil desde janeiro de 2017, Zarife ressaltou que tratar de diversidade não é apenas trazer mais mulheres para a equipe — é colocá-las em posições estratégicas e de liderança e reduzir a diferença entre homens e mulheres dentro e no topo das empresas.

              Segundo a pesquisa Women In Business 2019, da consultoria norte-americana Grant Thornton, apenas 15% das companhias têm mulheres ocupando cargos na diretoria executiva de empresas. O levantamento ouviu 3500 empresários em 35 países, incluindo o Brasil.

              “Se a gente não resolver esse problema, o gap vai aumentar”, afirma a diretora-geral do Twitter.

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