Marcos Arcoverde/AE - 09/12/2009 00
Marcos Arcoverde/AE - 09/12/2009 00

'Estado' ganha o Prêmio Esso por revelar atos secretos

Série sobre o caso Sarney de Rosa Costa, Leandro Cólon e Rodrigo Rangel venceu outras 1.091 reportagens

Fernando Paulino,

08 de dezembro de 2009 | 23h55

O Estado recebeu nesta terça-feira, 8, o prêmio Esso de Reportagem com a série Dos Atos Secretos aos Secretos Atos de José Sarney, dos repórteres Rosa Costa, Leandro Colon e Rodrigo Rangel. Rosa, ao receber o prêmio, criticou a censura sofrida pelo Estado em razão de liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do DF, em ação movida por Fernando Sarney, proibindo o jornal de publicar dados sobre a investigação da Polícia Federal acerca dos negócios do empresário, que é filho do senador José Sarney . "Dedico (o prêmio) ao nosso jornal, que está censurado. Espero que isso acabe de uma vez. O mínimo que se pode falar é que é uma indecência".

 

O material do Estado sobre o caso Sarney venceu 1.091 trabalhos inscritos. O Esso de Jornalismo, a mais importante premiação, foi para o Jornal do Commercio, de Recife, com Os Sertões. A série sobre os atos secretos teve início dia 10 de junho com a manchete Senado acumula mais de 300 atos secretos para criar cargos. O jornal mostrou que esses boletins sigilosos envolvia familiares e aliados de José Sarney (PMDB-AP), entre eles sobrinhos e até o namorado da neta. Na mesma série, o Estado revelou que a Fundação Sarney desviou R$ 500 mil de patrocínio de R$ 1,3 milhão da Petrobrás para empresas fantasmas, de fachada ou da família do senador.

 

A Comissão de Seleção, ao terminar o julgamento que definiu os finalistas, fez uma declaração em que repudia a censura. "A Comissão de Seleção dos trabalhos concorrentes ao Prêmio Esso de Jornalismo de 2009, vem manifestar o seu repúdio, protesto e preocupação com a censura judicial imposta ao jornal O Estado de S. Paulo, por ter este noticiado a trajetória e os negócios do filho do ex-presidente da República e presidente do Senado, José Sarney. Não se trata de reivindicar imunidade nem de considerar a imprensa acima de lei, mas de apontar uma aplicação distorcida dos princípios legais para evitar que a divulgação de fatos em apuração pela Polícia Federal sejam tornados públicos", diz a nota.

 

"Sob os mais diversos argumentos tal prática têm sido usada com frequência para manter privilégios e ocultar métodos pouco claros de gestão do bem público, muitas vezes confundido e tratado como se privado fosse. Tal pressão é ainda muito forte, principalmente, em pequenos jornais, muitas vezes submetidos a processos e sentenças indenizatórias que chegam a inviabilizar a sua existência."

 

Os ganhadores em cada categoria foram os seguintes:

 

Jornalismo - Jornal do Commercio de Recife com Os Sertões

Reportagem - Estado

Fotografia - Jornal do Commercio de Recife com Exilados da Fome

Informação econômica - Correio Braziliense com O Brasil que Emergirá da Crise

Informação científica, tecnológica e ecológica - Folha de S. Paulo com No Coração da Antártida

Primeira página - O Dia por A Faixa Preta Hoje é de Luto

Criação gráfica - Jornal do Commercio do Recife por Os Sertões;

Revista Época por Voo Air France 447;

Interior - A Tribuna de Santos com Caso Alessandra

Regional 1 - Diário de Pernambuco com Quilombola - Os Direitos Negados de um Povo"

Regional 2 - Jornal de Santa Catarina (Blumenau) com O Maior Desafio Climático do Brasil

Regional 3 - O Globo com Democracia das Favelas

Telejornalismo - SBT com Confronto na Linha Vermelha.

Os sites Museu corrupção e Congresso em foco receberam o prêmio de melhor contribuição à imprensa . O primeiro por agrupar todos os casos de corrupção desde 1964 e o outro por ter noticiado o descontrole do uso de passagens aéreas por parlamentares.

Criado em 1955 , o Esso é o mais tradicional prêmio de jornalismo do Brasil e está completando 54 anos ininterruptos de existência.

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