Estado de SP vai pedir reintegração de posse de área invadida

A Procuradoria Regional do Governo do Estado em Sorocaba deve entrar nesta segunda-feira com pedido de reintegração de posse de uma área com cerca de 20 hectares pertencente ao patrimônio estadual, ocupada na última quinta-feira por 400 famílias de sem-terra.O grupo de aproximadamente 700 pessoas entrou na área depois de sair da Fazenda Santa Isabel, em Alambari, que havia sido invadida no dia 1º. O novo acampamento foi montado à margem do Km 99da Rodovia Castelo Branco. A reintegração será requerida por força de ofício, pois nãohá previsão de que a ordem de despejo seja cumprida.Segundo a coordenadora regional do Movimento dos Sem-Terra, Maria Rodrigues, de 40 anos, uma das líderes do acampamento, as famílias entraram na área por indicação do próprio governo. "Essaalternativa foi discutida na reunião de nossas lideranças com o secretário de Justiça."O encontro de líderes do MST com o secretário Alexandre Moraes ocorreu no dia 11, no salão nobre da secretaria, em São Paulo. Participaram também representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp)."Como a gente tinha que sair da fazenda, pois havia uma ordem de reintegração de posse da Justiça, o pessoal do Incra e do Itesp sugeriu quefôssemos para Porto Feliz", disse Maria Rodrigues.O terreno ocupado é área de reserva legal deum assentamento já existente no município. O chefe de divisão do Incra paulista, Antonio Oswaldo Storel Júnior, confirmou neste domingo que a permanência na área do Estado foi apontada como solução provisória para o impasse da Santa Isabel. "Lá havia uma ordem de despejo com prazo para ser cumprida."Ele acha que as famílias, recrutadas pelo MST em São Paulo, Campinas e cidades da própria região, não devem ser despejadas outra vez. "O próprio Estado, que é titular daquela terra, tem interesseem resolver a questão das famílias acampadas." Segundo ele, o Incra tem vários processos para desapropriação de terras em andamento na região.As áreas seriam suficientes para assentar essas famílias, mas não há prazo para a conclusão, poismuitos processos estão na justiça. "Continuamos buscando uma solução", disse.Nesta terça-feira, o secretário Moraes reúne-se em Brasília com o ministro do DesenvolvimentoAgrário, Miguel Rossetto, e um dos temas deverá ser o apressamento das ações discriminatórias e desapropriações que tramitam em São Paulo.A Polícia Rodoviária Estadual mantém o acampamento sob vigilância, pois os barracos estão próximos da pista interior-capital da Castelo Branco e há risco de atropelamentos.Os policiais receiam também a possibilidade de manifestações e bloqueio da estrada, como ocorreuhá quatro anos, quando outro grupo de sem-terra acampou no local. Naquela oportunidade, houve saques a caminhões que transportavam alimentos pela rodovia.

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