Estado de Covas pode alterar agenda em Brasília

O agravamento das condições de saúde do governador Mário Covas deixa em aberto os próximos passos do governo em relação à agenda política da semana. O presidente Fernando Henrique Cardoso, que passou os feriados do carnaval em sua fazenda, em Buritis, embarcou esta manhã para o Palácio da Alvorada. Há expectativas de que o presidente viaje para São Paulo para visitar Mário Covas. Como desdobramento das demissões dos ministros pefelistas Rodolpho Tourinho e Waldeck Ornélas - alinhados com Antonio Carlos Magalhães -, a semana deveria começar com um aprofundamento da discussão do novo plano de ação governamental a ser executado nos dois últimos anos do governo. Os ministros que se encontravam no exterior, e só deveriam retornar ao País na próxima semana, anteciparam o retorno a Brasília. O ministro Aloysio Nunes Ferreira, da Secretaria Geral da Presidência da República, que estava na Itália, chega hoje a São Paulo. Também o ministro da Saúde, José Serra, que esteve em Tóquio e passou os feriados de carnaval em Roma, retorna hoje ao País. Cassação a ACM A semana mais curta prenuncia um fraco movimento no Congresso, embora o PT e PPS estejam preparando o primeiro ato político que, se aprovado, pode resultar na cassação do mandato do senador Antonio Carlos Magalhães. Os dois partidos entregam amanhã ao Senado uma representação pedindo abertura de processo contra Antonio Carlos Magalhães por falta de decoro parlamentar. A oposição pedirá que ACM envie à Comissão de Fiscalização e Controle os documentos que, segundo ele, contêm denúncias contra aliados do presidente Fernando Henrique. Segundo o líder do PT na Câmara, deputado Walter Pinheiro (BA), o partido insistirá na criação de uma CPI para apurar as denúncias de corrupção feitas por ACM. O assunto, no entanto, só deverá ser discutido na próxima semana com os demais partidos da oposição. Na avaliação de Pinheiro, a tentativa dos governistas de impedir a CPI só vai favorecer o senador ACM. Para ele, caso isso aconteça, o governo estará oferecendo mais oxigênio ao senador baiano. "Não vamos aceitar que o governo mais uma vez, ponha a lama debaixo do tapete e, por isso, não vamos abrir mão de apurar o conteúdo das denúncias de ACM", observou o líder do PT.

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