Estadão ganha Prêmio Vladimir Herzog de 2011

O caderno Guerras desconhecidas do Brasil, publicado em dezembro pelo jornal O Estado de S. Paulo, conquistou a edição 2011 do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, o mais tradicional concedido no País a reportagens que denunciam violação de direitos civis e políticos. O anúncio coincidiu com a entrega do Prêmio de Excelência Jornalística da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), ontem, no Peru. A investigação revelou que 556 civis foram mortos em 32 revoltas populares no século 20.

AE, Agência Estado

18 de outubro de 2011 | 09h47

O Prêmio Vladimir Herzog homenageia o jornalista que passou pelo Estadão, pela BBC e pela TV Cultura e foi morto pela ditadura militar. Na passagem pelo Estadão, em 1960, Herzog atuou na instalação da sucursal em Brasília. É a primeira vez que o prêmio que leva seu nome é concedido a profissionais que trabalham no escritório que ajudou a criar: Guerras desconhecidas do Brasil foi elaborado por Leonencio Nossa (texto) e Celso Junior (fotografia), da sucursal de Brasília, e José Eduardo Barella (edição), Fábio Sales (criação gráfica) e Farrel (ilustração). O jornal recebeu o Vladimir Herzog por melhor reportagem em 1981, com o caso Riocentro e, no ano seguinte, com reportagem sobre fraude em laudos médicos.

A denúncia contra a repressão de tropas legais contra civis e os princípios de defesa dos direitos do homem levaram o júri a escolher Guerras desconhecidas do Brasil por unanimidade. A investigação de 17 meses emocionou o júri, segundo fontes do concurso. Ao premiar o caderno, o júri da SIP já disse que era a "melhor investigação da década", ultrapassando "os critérios de excelência jornalística".

O trabalho também recebeu o Prêmio de Jornalismo Investigativo do Instituto Prensa y Sociedad (IPYS) na votação popular e o Prêmio José Hamilton Ribeiro de Jornalismo, também oferecido pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Especialistas do jornalismo também elogiaram o caderno. "É um mergulho no Brasil profundo e melancólico, com um olhar e sonoridades de Euclides da Cunha que a direção do jornal teve a ousadia de reviver e bancar", escreveu Alberto Dines, no site Observatório da Imprensa. "É uma investigação que aciona sensações que a imprensa há tempos trocou pelos estrondos sem resultados e pela banalidade inconsequente."

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