‘Estacionamento da CUT’ recebe mais de 100 ônibus

Nas redes sociais, internautas que defendem o impeachment da presidente Dilma Rousseff denunciaram o uso da Praça Charles Miller, na região oeste de São Paulo, como “estacionamento da CUT” ou como “QG do lulopetismo”.

O Estado de S.Paulo

19 de março de 2016 | 08h41

“Foi lá que distribuíram a mortadela”, disse um internauta mais exaltado no Twitter. Uma hashtag foi criada no microblog para provocar os manifestantes: #mortadeladay.

A praça no bairro Pacaembu recebeu mais de uma centena de ônibus que teriam sido alugados para levar manifestantes para a Avenida Paulista (no ato de apoio ao governo Dilma). O uso da praça como bolsão de estacionamento é autorizado pela CET.

O local já foi utilizado com o mesmo propósito em outras manifestações ligadas à CUT e ao PT. No dia 13 de março de 2015, por exemplo, a senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) usou suas páginas no Facebook e no Twitter para comentar o fato: “Acabo de ver a Praça Charles Miller, em frente ao Pacaembu, lotada de ônibus para recolher os manifestantes terceirizados pela CUT, MST e congêneres em defesa de Dilma”, escreveu o tucano na ocasião.

A assessoria de imprensa da entidade afirmou que não sabe quantos ônibus foram alugados para o evento – e que o aluguel dos ônibus seria uma questão de cada sindicato ou movimento social, não havendo, portanto, nada de ilegal. Um veículo da CET ficou no local durante toda a tarde e início da noite.

Os manifestantes que chegaram no estacionamento já saíram de lá com bandeiras e faixas em apoio à presidente e ao ex-presidente Lula. Eles seguiram da Praça Charles Miller em direção à Avenida Paulista. No trajeto, segundo uma vendedora ambulante da região, o grupo teria sido hostilizado e apoiado na mesma medida. Não houve registro de confusão no local.

Ainda por meio das redes sociais, opositores do governo acusaram o PT e a CUT de “inflarem o evento comprando a participação de sindicalistas”. Falou-se na distribuição de brindes, dinheiro e lanches.

O que aconteceu ali, segundo frequentadores e comerciantes locais, é que muitos se aproveitaram do movimento para vender cerveja, água e churrasquinho. “Nada demais, amigo. Foi como se fosse um jogo de futebol, todo mundo ganhou”, disse Lucas Amaral, ambulante com quase 10 anos de praça.

Na Charles Miller, enquanto o ato acontecia na Paulista, um grupo de motoristas confirmava que os veículos eram alugados pela CUT, mas negaram qualquer tipo “pagamento” aos participantes. “A distribuição de faixas, bandeiras é a coisa normal”, afirmou um motorista.

Os skatistas da praça reclamaram da ocupação provisória do local. “A gente aproveita a praça para relaxar e andar de skate. Hoje (ontem) foi um dia ruim. Nada a ver com política, brou (brother, irmão em inglês)”, comentou Xavier Gusmão, skatista de 27 anos.

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