Estácio de Sá muda propaganda após ameaça da OAB

Um dia depois de divulgar em jornais ser a segunda faculdade de Direito da capital em aprovação no exame local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Universidade Estácio de Sá recuou hoje e publicou novo anúncio, informando a posição que realmente ocupa: oitavo lugar no Estado. O diretor de Marketing da instituição, Marcelo Campos, disse que a nova mensagem foi publicada apenas para esclarecer a "polêmica".A afirmação da universidade, que aprovou um analfabeto em seu vestibular para o curso de Direito, foi contestada pelo presidente da Comissão do Exame da OAB-RJ, Ronald Alexandrino, mas Campos a manteve. "Reitero que a Estácio é a segunda em aprovação na capital", declarou.Para chegar a essa posição, a Estácio de Sá, em seu primeiro anúncio, de meia página, não levou em conta as universidades públicas nem as faculdades particulares do interior do Estado. O problema é que entre os seus alunos aprovados no exame estão estudantes dos câmpus de Campos e Nova Friburgo.Ou seja: figuram num ranking da capital alunos de outras cidades. O novo anúncio, de página inteira, reproduz a conta em que a Estácio só fica atrás da Pontifícia Universidade Católica do Rio e também a lista completa. Entre as faculdades particulares de direito do Estado, a Estácio foi a quarta na OAB.ProcessoPara Alexandrino, a instituição agiu de má-fé. Ele decidiu levar o caso ao Conselho Pleno da OAB e vai pedir que a instituição seja processada por propaganda enganosa. Apesar de a Estácio ter publicado novo anúncio, Alexandrino não pretende desistir de pedir a abertura de inquérito pelo Ministério Público. "Oitavo lugar não é segundo", afirmou.Para o Conselho Pleno decidir pelo pedido de abertura de inquérito, é necessário que a maioria simples (metade mais um dos presentes) do universo dos 72 conselheiros aprove a iniciativa. "De maneira nenhuma agimos com má-fé", contestou Campos.Para ele, a Estácio se tornou alvo desde a divulgação, pelo programa Fantástico, da Rede Globo, de que o analfabeto Severino Silva, de 27 anos, foi aprovado no vestibular. "Aquela matéria questionou todos os vestibulares, não somente o nosso. Mas as pessoas não podem confundir um processo de vestibular com a qualidade do nosso ensino. Já divulgamos que a Estácio recebeu conceitos A, B e C em vários de seus cursos no Provão", afirmou. No último Exame Nacional de Cursos, o Direito da Estácio recebeu D (unidade de Campos), C (Nova Friburgo) e C (Rio de Janeiro).Campos disse ainda que o processo de vestibular da Estácio foi revisto. A partir de agora, a redação será eliminatória. Na prova que gerou a polêmica, o analfabeto simulou um mal-estar e não escreveu o texto. Como a falta da redação não desclassificava o candidato, que marcou aleatoriamente A ou B como respostas a todas as questões da prova, Silva passou em nono lugar. Ele sabe apenas assinar o nome.

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