Estabilidade econômica é irreversível, diz FHC

A estabilidade econômica brasileira é irreversível, na visão do presidente Fernando Henrique Cardoso conforme entrevista publicada na edição desta terça-feira do jornalitaliano Il Sole 24 Ore, em reportagem que o descreve como tendo "a calma do estadista" e anuncia que ele pretende criar "um centro de estudos e análises das políticas públicas" quando deixar o cargo."A estabilidade foi realizada simultaneamente à integração na economia mundial, à abertura da economia e aos investimentos externos", explica o presidente. "A economiamundial sofreu uma sucessão de crises, mas não estamos mais em recessão. Com o real, a economia cresceu mais de 20%. A economia brasileira está mais próxima dos modelos das economias avançadas."Para Fernando Henrique, não é verdade que o governodeixou de lado as questões sociais: "O porcentual de pobrescaiu de 44% para 32%, número significativo num País com 170 milhões de habitantes", afirma. "Mas ainda há muito para ser feito", reconhece.Na área do Mercosul, ele diz que "pela primeira vez acoordenação macroeconômica é fácil e a integração comercial é grande". Para Fernando Henrique, o bloco sul-americano é importante tanto para negociar com a União Européia como com a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) - apesar das barreiras impostas sobre o aço."Somos favoráveis à Alca, mas sempre disse que o acessoao mercado deve ter duas mãos. A questão do aço não é um bom sinal. Assim, a Alca não será possível, a não ser que os Estados Unidos mudem de posição. Podemos sobreviver sem a Alca, estamos sempre mais voltados ao mercado europeu. E os Estados Unidos sabem que, sem o Brasil, não será a mesma coisa."

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