''Esta vitória é em 2009'', reage Dilma

Ministra leva mensagem de Lula ao Congresso e desvincula resultado de ontem da disputa de 2010

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

03 de fevereiro de 2009 | 00h00

Principal nome do PT para a sucessão presidencial, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, levou ontem ao Congresso Nacional a mensagem anual do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que o tema central foi a crise econômica mundial. Ela comemorou a vitória do PMDB na Câmara e no Senado, mas evitou falar no aumento do peso do partido nas negociações eleitorais e desvinculou o resultado de ontem da disputa de 2010. Por fim, evitou a tese de que o PMDB agora se torna candidato natural à vaga de vice na chapa do PT. "A base do governo foi vitoriosa. Estamos agora falando de 2009, esta vitória é em 2009. A vitória tem de ser vista como uma contribuição à governabilidade", afirmou o ministra, que chamou os eleitos José Sarney e Michel Temer de "grandes brasileiros com competência para dirigir a Câmara e o Senado". Dilma disse acreditar em uma relação melhor do Legislativo com o Executivo. "A disputa é democrática. Acho muito importante que tenham sido eleitos parlamentares que são integrantes da base. Se houver alteração (na relação Executivo-Legislativo), é para melhorar a governabilidade. Vai ser uma relação melhor porque a gente tem que apostar que as pessoas aprendem e progridem. Acredito no aperfeiçoamento", afirmou a ministra, ao deixar o plenário da Câmara.Na visita ao Congresso, Dilma cumprimentou pessoalmente Temer, eleito com o apoio de 14 partidos, e Sarney, cuja vitória congregou até antigos adversários, como Fernando Collor (PTB-AL). Quando venceu a eleição para a Presidência da República, em 1989, Collor tinha como principal alvo o então presidente Sarney, a quem acusava de corrupção.Na mensagem presidencial, encaminhada todo ano no início dos trabalhos legislativos pelo presidente da República, Lula não minimizou a gravidade da crise. Disse que será "inevitável a economia desacelerar", mas prometeu "todos os esforços para o País continuar crescendo". Afirmou ainda que as reservas de US$ 207 bilhões dão "uma significativa margem de manobra para vencer os desafios" e reiterou que medidas de emergência já foram tomadas para manter o crédito e preservar os setores que mais geram empregos. "A crise, embora séria, deve continuar a ser enfrentada com serenidade", destacou o presidente.Ao deixar o Congresso, Dilma repetiu o tom da mensagem. "Podemos ter desaceleração no crescimento, mas o governo não está parado. A crise não foi produzida aqui. Estamos em condições melhores para enfrentá-la."Lula também citou o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) no documento enviado aos congressistas. "Se não tivéssemos criado o PAC em 2007, teríamos de criar agora, em uma conjuntura mais complicada."

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