Ed Ferreira/Estadão
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Está na hora de criar o 'Menos Ministérios', afirma Renan

Presidente do Senado faz ironia com programa Mais Médicos para sugerir cortes e volta a criticar medidas econômicas do governo

Bernardo Caram, O Estado de S. Paulo

24 de março de 2015 | 16h03

Atualizado às 18h08

Brasília - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou a criticar as medidas econômicas do governo Dilma Rousseff nesta terça-feira, 24. Segundo ele, o momento é de diminuir o "aparelhamento" do Estado. "Se nós aplaudimos o (programa) Mais Médicos, está na hora do 'Menos Ministérios'", afirmou.

Renan criticou o excesso de cargos comissionados e as indicações políticas para o "aparelhamento" do Estado. "Nada mais justo, em tempo de sacrifícios para a sociedade, que o governo dê o exemplo", completou. Desde a semana passada, após os protestos contra o governo, lideranças do PMDB começaram a defender uma reforma administrativa. A estratégia é melhorar a imagem do partido e tentar se dissociar da disputa por cargos.


Renan pediu humildade para que as dificuldades sejam reconhecidas. "O problema é complexo e não será resolvido como resultado de uma única equação ou de uma visão simplista", avaliou. E avisou que o pacote de ajuste fiscal dificilmente será aprovado como foi enviado ao Parlamento, já que "é recusado pelo conjunto da sociedade e o Legislativo é a caixa de ressonância da sociedade".

Segundo Renan, o trâmite das medidas provisórias que mudam regras trabalhistas e previdenciárias será semelhante ao que ocorreu com o reajuste na tabela do Imposto de Renda: com negociação. O presidente do Congresso fez uma série de críticas à gestão federal.

"O fim da desoneração, como quer o governo, será um colapso no aumento da produtividade e do emprego no Brasil", afirmou. "O ajuste é necessário, mas não pode ser um fim em si mesmo", destacou. Renan criticou ainda o que chamou de ajuste feito "meramente aumentando impostos e tomando poder de compra da população".

As afirmações foram feitas em evento na Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde Renan recebeu a Agenda Legislativa da Indústria, documento com sugestões do setor para permitir melhorias no ambiente de negócios. De acordo com o presidente do Senado, uma negociação foi iniciada para que a Casa e a Câmara definam uma pauta expressa que priorize as "urgências nacionais" na economia.

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