"Está mais fácil" para Alckmin concorrer, diz FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista concedida à revista IstoÉ desta semana, avalia que o fato de estar em final de mandato cria condições Amis fáceis para o governador Geraldo Alckmin disputar a Presidência da República, enquanto que o prefeito José Serra teria que enfrentar o risco de abandonar a prefeitura. "Será que ele vai querer correr esse risco?", indaga o ex-presidente, principal articulador do PSDB. Mas reafirma: seja quem for o candidato, terá de bater duro no governo Lula, principalmente na questão ética.Eis, na íntegra, a resposta de FHC, à pergunta sobre quem seria o melhor candidato para colocar em prática a sua recomendação de que a campanha tucana bata forte no PT, atacando as questões éticas do partido e do governo Luiz Inácio Lula da Silva: "Seja um, seja outro, terá de entrar nesses temas, com uma palavra muito forte. De crítica a isso tudo, e de confiança de que vai ser diferente. Qual deles será, ainda não sabemos. Vamos escolher quem tiver mais chances de derrotar Lula, mas a decisão de concorrer é pessoal. Para Alckmin está mais fácil, seu mandato está terminando. Serra teria de enfrentar um buraco negro entre abandonar a prefeitura e vencer as eleições. Será que ele vai querer correr esse risco?"Após comentar que nunca ouviu falar tanto em corrupção "como neste governo", o ex-presidente afirma que este será o tema forte da campanha presidencial e enfatiza que o PSDB deve mostrar, "com força", o que aconteceu. "Não podemos aceitar o que o presidente Lula disse em Paris, que todos são corruptos e, portanto, que a corrupção é normal. Não, não. Primeiro, porque não são todos que praticam corrupção. Segundo, a corrupção neste governo é muito mais grave do que nos outros casos da história", sustenta.FHC argumenta que há um fenômeno novo. "Os outros casos eram individuais, enquanto no governo Lula a corrupção se organizou e teve a chancela do partido do governo. No governo Lula, a corrupção tem organicidade, foi arquitetada. É sistêmica." Para o ex-presidente,a situação justificaria o impeachment de Lula, mas o momento dessa discussão já passou. "Agora não dá mais. Lula é o símbolo do imigrante operário pobre que chegou a presidente. É um símbolo declinante, uma estrela cadente. Mas o horizonte, agora, é o eleitoral".

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